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Relatos de mulheres periféricas sobre violência são menosprezados, mostra estudo

Levantamento mostra que moradoras das periferias são mais questionadas ao verbalizar violências
11 de dezembro de 2023

Profissionais que atuam na rede de proteção de violência contra a mulher do Estado do Rio de Janeiro reconhecem que os relatos das mulheres periféricas são mais questionados do que as que moram longe das periferias. É o que aponta relatório do Programa M, desenvolvido pelo Instituto Promundo, em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher.

Segundo o estudo, 90% dos 430 profissionais atuantes na rede de proteção estadual reconhecem que as moradoras de periferias têm seus relatos questionados ao verbalizar alguma situação de violência quando comparadas a mulheres que não moram em território periféricos.

Os dados fazem parte da pesquisa de monitoramento e avaliação aplicada aos profissionais que participaram da capacitação do Programa M, durante o ciclo 1, entre agosto e dezembro de 2022, e durante o ciclo 2, entre fevereiro e junho de 2023. O Programa M é um manual que trabalha a equidade, prevenção, combate e enfrentamento de violências baseadas em gênero.

De acordo com o relatório, a questão racial, atrelada à discussão de gênero, também se mostrou um diferencial. Antes de participarem da capacitação, quase 20% dos profissionais nunca tinha ouvido falar sobre o conceito “feminismos negros”.

Para o Instituto Promundo, o percentual merece atenção, uma vez não foi perguntado aos participantes se eles conheciam ou sabiam aprofundar o conceito. Ao contrário, foi perguntado se eles já tinham “ouvido falar”.

O relatório aponta também percentual de quase 20% que sequer havia “ouvido falar” sobre o tema mostra o distanciamento existente entre esses profissionais e os debates de gênero e raça antes da realização da capacitação.

De acordo com estudo, o dado chama a atenção, considerando que os profissionais se inserem em espaços socioassistenciais que atendem, majoritariamente, mulheres negras.

Ainda segundo o estudo, após participarem da capacitação do Programa M, os profissionais apontaram o quanto consideram o letramento racial importante na qualidade dos atendimentos a mulheres negras.

Quase 60% dos egressos da capacitação concordaram, parcial ou integralmente, que o letramento racial é necessário para que os profissionais realizem atendimentos de qualidade a mulheres negras.

 

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