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Salário menor na advocacia afeta mais mulheres e negros, revela estudo da OAB

Entidade traçou o perfil dos profissionais da área no país. Foram mais de 20 mil advogados entrevistados
12/06/2024 | 05h00

Um levantamento realizado pela Ordem de Advogados do Brasil (OAB) revela que a proporção de advogados na menor faixa de salário da categoria é maior entre negros e mulheres. A entidade traçou o perfil dos profissionais da área em todo o país.

Negros e mulheres também são os dois segmentos que são mais jovens e têm menos tempo de carreira. No sentido inverso, mais homens e pessoas brancas atingem faixas maiores de renda e tempo de profissão.

O levantamento foi intitulado como 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira e foi feito com uma amostra de 20.885 entrevistados, que representam o universo de 1.370.476 advogados inscritos na OAB. A margem de erro máximo é de menos de 1 ponto percentual para mais ou menos.

O levantamento utilizou dados do Cadastro Nacional da Advocacia (CNA) e de questionário estruturado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Salários

Segundo a pesquisa, 34% do total de profissionais ganham até dois salários mínimos (até R$ 2.640). Entre as mulheres, o número salta para 41%, contra 27% entre os homens.

Na divisão por raça, o número representa quase a metade (45%) entre os pretos, 39% entre os pardos e 31% entre brancos.

Uma porcentagem maior dos advogados brancos (6%) consegue alcançar a faixa de mais de 20 salários mínimos (mais de R$ 26.400), contra 4% de pardos e 3% de pretos. Na divisão por gênero, os homens que atingem ou ultrapassam este montante são de 8%, contra 3% das mulheres.

Segundo o levantamento, 50% dos advogados brasileiros são do gênero feminino, 49% do masculino e 1% tem outras identidades. Quanto à raça, 64% se declararam brancos, 25% pardos, 8% pretos e cerca de 1% amarelos e indígenas.

Há uma proporção maior de mulheres na faixa etária entre 24 a 44 anos — 57% entre elas, ante 42% entre os homens; e de 69% entre os pretos e 62% entre os pardos, contra 51% dos brancos.

No total, 24% das mulheres atuam há menos de três anos na advocacia, ante 17% dos homens. No recorte de raça, 18% dos brancos estão nesta faixa. O valor no caso de pardos e pretos salta para 25% e 30%, respectivamente.

Homens que alcançaram mais de 20 anos na advocacia estão em maior proporção na categoria (28% no caso deles, contra 19% delas). Da mesma forma, 28% das pessoas autodeclaradas brancas se encontram na faixa, contra 15% de pardos e 12% de pretos.

Maternidade

O levantamento também aponta diferenças relacionadas ao número de pessoas sem filhos, o que atinge 43% do total da amostra. Entre as mulheres, o número vai para 52%, contra 33% entre os homens.

No caso de cuidadores solo, o número salta para 26% entre as mulheres, contra 8% entre os homens.

Ainda segundo o levantamento, 55% do total da amostra tem entre 24 e 44 anos, 58% são casados, 58% têm filhos, 43% se declaram católicos, 45% têm renda individual com a advocacia entre 2 e 10 salários mínimos, 72% são autônomos e 26% desempenham outra atividade profissional além da advocacia.

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