Por Fábio Zanini
(Folhapress) – Ricardo Salles, deputado federal de São Paulo pelo Novo, desistiu da candidatura ao Senado pelo estado. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), na reta final da campanha para as eleições de 2026, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). O deputado agora apoia Derrite e Prado.
“Quando uma pessoa resolve abrir mão de uma posição, a gente tem que enaltecer. E hoje a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada, tem trajetória, tem bagagem, tem história, dando um passo ao lado, para nos ajudar, para somar”, disse Tarcísio. “É momento de pensar num objetivo maior, que é ter dois representantes no Senado.”
O governador ressaltou o papel do Novo em sua campanha e disse que São Paulo agora sai na frente no que chamou de “grande movimento de união da direita”. “Seria muito bom se a gente pudesse unir a direita nessa reta final. A nossa parte nós estamos fazendo”, ele disse.
Salles afirmou, no anúncio de sua desistência, que “o momento é tão grave que diferenças tem que ser deixadas de lado”. Ele afirmou que a reeleição de Lula seria “uma catástrofe”.
O deputado diz que segue apoiando a candidatura do mineiro Romeu Zema (Novo) à presidência enquanto ele for candidato.
O deputado havia se candidatado ao Senado depois da decisão do Novo de apoiar a candidatura de Tarcísio ao governo. No anúncio, o governador disse que Salles desistiu de concorrer à vaga para fortalecer as outras candidaturas e defendeu o objetivo maior de conquistar as duas cadeiras.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) mostrava Salles com 4% das intenções de voto. No pelotão da frente, há empate técnico entre Marina Silva (Rede), com 15%, Simone Tebet (PSB), com 14%, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) com 12% cada.
Salles havia atacado André do Prado há menos de duas semanas, durante o debate promovido pela Band. O deputado acusou o concorrente de ter apoiado o PT no passado.
“Qual credencial de direita você tem?”, perguntou Salles. “Você quer enganar o eleitor da direita fingindo que é bolsonarista”, disse posteriormente, quase no fim do debate.
Deputado estadual, André do Prado está há 32 anos na política, mas é o único entre os principais candidatos ao Senado por São Paulo que nunca exerceu um posto de nível nacional.
Salles recebeu R$ 3 milhões de verba pública para campanha
Apesar de ter saído da disputa pelo Senado em São Paulo, Ricardo Salles recebeu R$ 3,1 milhões em recursos públicos para a sua campanha. Desse montante, o ex-ministro do meio ambiente teria gasto cerca de R$ 1,76 milhão até o momento de sua desistência. Ao todo, Salles angariou R$ 3,6 milhões do diretório nacional e paulista do Novo, dos quais R$ 2,3 milhões vieram do Fundo Partidário e R$ 850 mil do Fundo Eleitoral. A campanha arrecadou R$ 4,5 milhões – incluindo também doações de pessoas físicas – no total e já havia registrado cerca de R$ 2,98 milhões em despesas.
A desistência, no entanto, não implica, pela legislação atual, a devolução dos valores públicos que já foram regularmente gastos. Segundo o advogado Fernando Neisser, especialista em direito eleitoral, apenas o saldo não utilizado dos recursos públicos deverá retornar aos cofres públicos. Entre as principais despesas declaradas por Salles estão R$ 894 mil com serviços gráficos, R$ 669 mil em impulsionamento de conteúdo na internet e R$ 250 mil com serviços advocatícios.
Salles não recebe multa simplesmente por ter desistido depois de usar recursos públicos. “A renúncia é um direito que o candidato tem e não há previsão de devolução de valores caso desista”, afirma Neisser. Segundo ele, pode haver repercussão política sobre a decisão, mas não existe, por esse motivo, obrigação jurídica de ressarcir o que foi regularmente gasto.