Secretário dos EUA celebra eliminação do Irã na Copa com ‘dancinha’

Markwayne Mullin disse que cancelou vistos da delegação iraniana e comemorou a saída do grupo do solo americano
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O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, declarou a jornalistas que comemorou a eliminação do Irã da Copa do Mundo de 2026, afirmando que fez uma ‘dancinha da felicidade’ ao saber que os jogadores e a delegação iraniana deixariam o território estadunidense. A declaração escancarou o grau de politização que o torneio atingiu sob a sede dos EUA.

Após a eliminação iraniana, Mullin disse: ‘Estou apenas feliz que eles terminaram a participação no torneio e não vão voltar. Fiquei tão feliz quando conseguimos cancelar os vistos deles e dissemos que podiam deixar o solo americano — e talvez eu tenha cantado uma música ou duas ou até dançado uma dancinha da felicidade.’

Por conta das tensões diplomáticas com Washington, iniciadas após o ataque iniciado por EUA e Israel contra o território do Irã em fevereiro deste ano, a seleção iraniana não foi autorizada a pernoitar em solo estadunidense.

Durante o torneio, os jogadores ficaram sediados em Tijuana, no México, e voavam para os jogos apenas nos dias das partidas. A solução logística já dizia muito sobre o clima hostil que cercou a participação da seleção no torneio.

Secretário de segurança dos EUA celebra eliminação do Irã na Copa com 'dancinha'
Reprodução ICL Notícias Primeira Edição

Copa do Mundo se tornou um grande negócio

Em participação no ICL Notícias Primeira Edição desta quarta-feira (1º), o jornalista Paulo Calçade comentou o cenário do mundial. “Os EUA se apropriaram da Copa do Mundo e o [Gianni] Infantino, presidente da FIFA, entregou de bandeja”. A expectativa é de que a federação arrecade 13 bilhões de dólares com o torneio.

A Copa passou a funcionar como extensão da política externa americana, com o governo tratando delegações de países adversários como ameaças a serem gerenciadas, não como convidados de um evento multilateral.

Calçade relembrou que a Copa vem se tornando um grande negócio. A expectativa deste ano é de que o torneio renda 13 bilhões de dólares para a Fifa. O cenário chegou “a ponto de eles implantarem no mundial uma cultura norte-americana de esportes”, afirmou se referindo a adoção das paradas técnicas ao longo do jogo, “algo que a gente já vê no basquetebol”.

Outro sinal dessa americanização forçada do torneio é a adoção das chamadas ‘paradas técnicas’ — interrupções no jogo inspiradas nos intervalos do basquete e de outros esportes norte-americanos, que dividem as partidas em blocos para maximizar o espaço publicitário. Uma lógica comercial transplantada para o futebol sem consulta às federações ou às torcidas.

O conjunto de decisões marcado pela escolha da sede nos EUA, vistos cancelados, delegações confinadas fora do país e secretário de Estado celebrando eliminações mostra um torneio que perdeu qualquer pretensão de ser uma festa entre povos.

As últimas edições do torneio, realizado na Rússia em 2018 e no Catar em 2022, também foram marcadas por um ambiente político tenso nos países-sede. Na avaliação de Calçade, “onde tem dinheiro, a Copa vai”. Mas ele reforça que a cobertura jornalística sobre o evento também tem acabado por se adequar a essa visão de mundo. “Essa é a dinâmica do capitalismo”, afirmou.

A discussão sobre os rumos da Copa do Mundo precisaria ser feita com urgência tanto pelo mundo esportivo quanto pelo político. Mas, por ora, não há sinal de que isso vá acontecer.

Confira o ICL Notícias Primeira Edição desta quarta, 1, na íntegra:

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