Socorrista morre em resgate de alto risco de mergulhadores italianos nas Maldivas

Corpos de quatro italianos desaparecidos em caverna submarina foram localizados após dias de buscas marcadas por fortes correntes e baixa visibilidade.
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As autoridades das Maldivas anunciaram nesta segunda-feira (18) a localização dos corpos de quatro mergulhadores italianos que estavam desaparecidos desde quinta-feira (14), após um acidente em uma caverna submarina próxima à ilha de Alimathaa, no atol de Vaavu. A operação de resgate, considerada de alto risco, deixou uma vítima, um militar das Forças de Defesa do país que participava das buscas.

De acordo com a agência italiana Ansa, os socorristas preveem recuperar dois dos quatro corpos na terça-feira (19) e os outros dois na quarta-feira (20).

Segundo o governo maldivo, os corpos foram encontrados presos em uma área de difícil acesso, a cerca de 50 metros de profundidade, após dias de buscas prejudicadas por fortes correntes marítimas e baixa visibilidade. O grupo fazia um mergulho matinal na região e foi dado como desaparecido após não retornar à superfície até o meio-dia de quinta-feira.

O resgate mobiliza equipes da Guarda Costeira, agentes locais e mergulhadores especializados. Diante da complexidade da operação, três especialistas finlandeses em mergulho técnico e exploração de cavernas submarinas foram acionados para ajudar na recuperação dos corpos.

Durante os trabalhos, porém, um dos integrantes da força de resgate morreu. O sargento-major Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa das Maldivas, sofreu complicações associadas à  descompressão. A morte levou à suspensão temporária da operação no sábado (16).

Socorrista morto era membro da Força de Defesa Nacional das MaldivasImagem: Dilvulgação X / Thoriq Ibrahim
Socorrista Mohamed Mahudhee, membro da Força de Defesa Nacional das Maldivas
Imagem: Dilvulgação X / Thoriq Ibrahim

As vítimas eram cinco italianos ligados a atividades acadêmicas e científicas marinhas. O instrutor de mergulho Gianluca Benedetti havia sido encontrado morto ainda nos primeiros dias de busca. Já os quatro corpos localizados nesta segunda pertencem à professora de Ecologia Marinha Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica, à pesquisadora Muriel Oddenino di Poirino e ao biólogo marinho Federico Gualtieri.

Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho nas Maldivas, e Federico Gualtieri, recém-formado em Biologia Marinha, morreram no acidente – Fotos: Reprodução
Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho nas Maldivas, e Federico Gualtieri, recém-formado em Biologia Marinha, morreram no acidente – Fotos: Reprodução
A pesquisadora Monica Montefalcone e a filha, Giorgia Sommacal, estão entre as vítimas. Fotos: Reprodução
A pesquisadora Monica Montefalcone e a filha, Giorgia Sommacal, estão entre as vítimas. Fotos: Reprodução
Muriel Oddenino era pesquisadora e autora de estudos sobre preservação de habitats marinhos. Foto: Reprodução
Muriel Oddenino era pesquisadora e autora de estudos sobre preservação de habitats marinhos. Foto: Reprodução

O grupo realizava uma expedição subaquática em uma caverna a aproximadamente 50 metros de profundidade, uma faixa considerada avançada e que exige treinamento técnico e equipamentos específicos. Autoridades locais investigam agora as circunstâncias do acidente e se os protocolos de segurança foram integralmente cumpridos.

O governo das Maldivas classificou a missão de resgate como uma das mais difíceis já realizadas no arquipélago e apontou que as condições no local eram extremamente adversas, tanto pela profundidade quanto pela geografia da caverna submarina.

“A caverna é tão profunda que mergulhadores, mesmo com os melhores equipamentos, não se aventuram a entrar”, disse na sexta o porta-voz da presidência das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef.

Como e onde ocorreu o acidente

De acordo com autoridades italianas, os mergulhadores morreram durante uma exploração de cavernas submarinas no Atol de Vaavu, nas Maldivas, a aproximadamente 50 metros de profundidade; uma faixa considerada técnica e acima do limite geralmente indicado para mergulho recreativo na região, que costuma ficar em torno de 30 metros.

Localizado no Oceano Índico, a cerca de 65 quilômetros da capital Malé, o Atol de Vaavu é conhecido pelas águas cristalinas e pela intensa biodiversidade marinha, mas também por suas condições desafiadoras. A área é formada por pequenas ilhas de coral, recifes e canais oceânicos profundos, cenário que atrai turistas e mergulhadores experientes de diferentes partes do mundo.

O grupo italiano realizava a imersão nas proximidades da ilha de Alimathaa, um dos pontos mais procurados do atol para observação da fauna marinha. A região reúne cavernas submersas, túneis naturais e paredões íngremes, além de canais estreitos marcados por correntes marítimas intensas — fatores que elevam significativamente o nível de risco da atividade.

Atol onde os Italianos mergulharam. — Foto: Reprodução/Google Maps
Atol onde os Italianos mergulharam. — Foto: Reprodução/Google Maps

Os atóis, formações típicas das Maldivas, surgem a partir de recifes de coral que se desenvolvem ao redor de antigos vulcões submarinos submersos, formando anéis de ilhas em torno de lagoas centrais. No arquipélago, essas estruturas moldam a geografia local e criam desde águas rasas até áreas de mergulho profundo.

Embora seja um dos destinos mais populares do mundo para turismo de mergulho, acidentes marítimos não são raros nas Maldivas. Segundo a polícia local, ao menos 112 turistas morreram em ocorrências no mar nos últimos seis anos. O país, formado por 1.192 ilhas de coral distribuídas ao longo de cerca de 800 quilômetros no Oceano Índico, recebe visitantes atraídos por resorts de luxo e embarcações especializadas em mergulho com hospedagem a bordo.

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