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O grupo de samba e pagode embalou a festa sem pensar duas vezes: “Essa família é muito unida, e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão, mas acabam pedindo perdão.” Nas mesas do restaurante Coco Bambu, no Lago Sul, em Brasília, políticos das mais variadas tendências ideológicas se cumprimentavam e confraternizavam de uma maneira que pouco se vê nos corredores da Câmara e do Senado.

Em uma área menos movimentada da sala, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, conversava com o deputado bolsonarista Ricardo Salles. De olho no tête-à-tête, a assessora do ministro desconversou: “Eles se conhecem há muito tempo, estavam perguntando por várias pessoas.”

Ministros, aliás, havia muitos. Ao menos nove, na minha conta. Todos presentes para cumprimentar o líder do PSD na câmara, deputado Antonio Brito (PSD-BA), candidato declarado à sucessão de Arthur Lira na presidência da casa.

O próprio Lira também compareceu. Cumprimentou aliados e adversários, mas sumiu de cena antes da chegada do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, um desafeto declarado. Com um broche do Zé Gotinha na lapela, da campanha de vacinação do governo, Padilha negou que estivesse na festa para dar apoio à candidatura de Brito. “Ele é candidato do Bolsonaro, não é? Ganhou a medalha de imbrochável!”, brincou.

Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) negou que a presença de tantos ministros e nomes de destaque do PT e da base aliada do governo significasse um apoio ao candidato. “O governo não tem candidato, nem para a Câmara e nem para o Senado”, garantiu. “Amanhã todo mundo vai também”, acrescentou, se referindo à festa da quarta-feira (10) de Elmar Nascimento (União-BA), presidente do União Brasil, deputado que Arthur Lira quer para sucessor.

Elmar anunciou a festa desta quarta-feira (10) e o PSD rapidamente colocou de pé a confraternização em torno de Antonio Brito um dia antes. O deputado apertou a mão de muita gente, dançou. Estava radiante no fim da festa.

O ministro do STF Ricardo Lewandowski

A demonstração de apoio foi ampla. Além dos colegas de partido e da presença do presidente do PSD, Gilberto Kassab, um grupo grande de deputados da esquerda e vários representantes do MDB também marcaram presença.

Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líder do MDB, entrou puxando a fila de colegas de legenda. Bem-humorado, disse que não foi o MDB que fechou com o PSD e sim Kassab que fechou com o MDB.

A disputa pela presidência da Câmara e do Senado está apenas começando. “Mas a largada foi dada agora”, garantiu a deputada do PT, Maria do Rosário, candidata à prefeitura de Porto Alegre (RS). Ela também fez coro com a ideia de que a presença, na festa de Antonio Brito, não significa necessariamente apoio ao candidato.

“Todo mundo veio aqui só para comer”, garantiu o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES). A comida estava caprichada. Pastéis de queijo, escondidinho de carne, siri e dadinho de tapioca para beliscar, além de jantar com opções de carne e peixe. Mas dificilmente a comida seria a grande atração.

Os líderes do PT e do governo na Câmara, deputados governistas e até mesmo bolsonaristas declarados compareceram ao convescote. A expectativa é de que a maior parte dos convidados de Brito se reencontrem na festa de Nascimento. Esse é o ritmo de Brasília em tempos de escolha dos futuros líderes do Congresso.

O ministro Lewandowski, que prestigiou Brito, já esteve com o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), bispo licenciado da Igreja Universal, também candidato à cadeira de Lira.

Lewandowski aparentemente não foi convidado para a festa de Elmar Nascimento, nesta quarta-feira (10). Ele passou boa parte da festa ao lado do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

Mesmo que atendam ao convite do candidato de Lira, os governistas parecem convencidos de que a melhor saída é fugir da escolha do atual presidente da Câmara. Em uma reunião da bancada do partido na terça-feira (9), a opinião geral era clara: é preciso descontinuar, se desligar do poder do atual presidente da Câmara e, se possível, mudar a relação com o governo, fugir da chantagem constante e da “faca no pescoço”, como disse um deputado.

A disputa está apenas começando.

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