Por Mariana Zylberkan
(Folhapress) – Reeleito no primeiro turno, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) atrela mudanças no seu secretariado a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições.
Ainda sem perspectiva de movimentações na equipe que irá compor a próxima gestão, Tarcísio adiou as decisões para novembro e tem dito que a prioridade é eleger Flávio presidente. Na manhã seguinte de sua reeleição com recorde de votação 62,65% dos votos válidos, Tarcísio foi para Brasília trabalhar na campanha do aliado político.
Na segunda-feira (5), o governador declarou à TV Jovem Pan que irá indicar membros de sua gestão para compor o eventual governo federal de Flávio. “A gente vai estar sempre pronto para indicar quadros que fazem parte do Governo de São Paulo, e o Flávio já tem me falado que tem interesse de levar alguns quadros que estão aqui conosco para o Governo Federal”, disse.
Entre os técnicos da equipe de Tarcísio com chance de irem para Brasília está Samuel Kinoshita, secretário da Fazenda e Planejamento. Ele foi assessor especial de Paulo Guedes, ministro da Economia no governo Jair Bolsonaro (PL), e é membro do conselho fiscal do Banco do Brasil desde 2020.
Outro ex-integrante da equipe econômica de Guedes, o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, também deve deixar o cargo até o fim do ano para eventualmente compor a equipe de Flávio.
Como a Folha de S.Paulo mostrou, o atual secretário de Educação, Renato Feder, está entre os nomes cotados para integrar uma possível gestão Flávio Bolsonaro e também deve deixar o Palácio dos Bandeirantes caso se confirme a vitória do candidato do PL no segundo turno.
A participação de Tarcísio na campanha do aliado é estratégica, já que o candidato do PL venceu em 603 das 645 cidades do estado. O presidente Lula (PT), que disputa a reeleição, teve maioria de votos em 39 municípios paulistas.
Mudanças Internas
Uma das principais movimentações esperadas para a formação do novo secretariado do Governo de São Paulo é a transferência de Natalia Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, para a Casa Civil, posto de primeiro escalão e próximo do governador.
Ela é um dos quadros mais elogiados por Tarcísio, que se refere a ela como “supersecretária”. Natalia foi escolhida para integrar o time de coordenação do programa de governo do próximo mandato.
Outra alteração no núcleo duro do governo é a permanência de Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos em São Paulo e secretário de Governo e Relações Institucionais desde o início deste ano. Ele deve permanecer no cargo assumido após saída de Gilberto Kassab (PSD), que disputou as eleições como vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD).
Carneiro deve voltar ao Palácio dos Bandeirantes após o segundo turno das eleições, já que se afastou para coordenar a campanha de Tarcísio.
Sem previsão de reintegrar a gestão, Kassab disse que a relação com o governador “não é baseada em cargos, e sim em convicções”, e que a composição do secretariado é de responsabilidade do governador.
Na Segurança Pública, há possibilidade de remanejamentos internos, mas a troca do secretário Nico Gonçalves não é vista como uma prioridade por enquanto pelo alto escalão.