Tornado causa estragos no Rio Grande do Sul e fenômeno deve se repetir; veja vídeo

Principal impacto foi em imóveis residenciais, que sofreram danos parciais ou totais nos telhados
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A passagem de um tornado deixou um rastro de destruição em Senador Salgado Filho, município localizado no Noroeste do Rio Grande do Sul, na noite desta terça-feira (28). O fenômeno provocou destelhamentos em diversas residências e levou a Defesa Civil a mobilizar equipes para atender a população atingida.

Moradores registraram em vídeo o momento em que o funil cruzava a cidade por volta das 18h. As imagens mostram a força dos ventos enquanto o tornado avançava sobre áreas urbanas.

De acordo com a Defesa Civil, o principal impacto foi em imóveis residenciais, que sofreram danos parciais ou totais nos telhados. Até a última atualização, não havia informações sobre pessoas feridas. As equipes iniciaram o levantamento dos prejuízos e distribuíram lonas para reduzir os efeitos das chuvas sobre as casas danificadas.

O tornado ocorreu em meio a uma forte mudança nas condições atmosféricas sobre o Estado. Antes mesmo do episódio, a MetSul Meteorologia já havia alertado para a possibilidade de tempestades severas, com potencial para formação de supercélulas, granizo de grandes dimensões, ventos intensos e tornados.

Tempestades devem continuar

O risco de novos eventos extremos permanece elevado. Segundo a MetSul Meteorologia, entre a noite desta terça-feira e a manhã de quarta-feira (29), uma extensa faixa de tempestades deve avançar do Rio Grande do Sul em direção a Santa Catarina e ao Paraná.

Os meteorologistas explicam que a atuação simultânea de uma frente quente semiestacionária e de um centro de baixa pressão cria um ambiente altamente favorável ao desenvolvimento de temporais severos. Desde o início da semana, esse sistema já provocou chuva intensa, rajadas de vento e granizo em diversas cidades gaúchas.

A previsão indica a formação de uma linha de instabilidade conhecida como squall line, capaz de se estender por centenas de quilômetros. Esse tipo de sistema reúne diversas tempestades organizadas e costuma produzir fenômenos de grande intensidade em sequência.

Entre os principais riscos estão rajadas superiores a 100 km/h, podendo atingir entre 120 km/h e 150 km/h em pontos isolados. Nessas condições, aumentam as chances de destelhamentos, queda de árvores, danos à rede elétrica e interrupção do fornecimento de energia.

Os modelos meteorológicos também apontam elevados índices de refletividade, entre 55 e 60 dBZ, normalmente associados a tempestades muito intensas, capazes de produzir granizo de grande porte e supercélulas.

Outro fator que preocupa é a presença de um forte jato de baixos níveis, responsável por transportar ar quente e úmido e intensificar o cisalhamento do vento. Essa combinação favorece a formação de tempestades rotativas, aumentando o potencial para tornados isolados.

Além dos ventos, o volume de chuva previsto é expressivo. Algumas regiões podem registrar entre 50 e 100 milímetros em apenas três horas, elevando significativamente o risco de enxurradas, alagamentos, inundações repentinas e transbordamento de arroios e rios.

O que caracteriza um tornado

Os tornados estão entre os fenômenos meteorológicos mais violentos da natureza. Eles se formam quando uma coluna de ar em intensa rotação conecta a base de uma tempestade ao solo, concentrando ventos capazes de provocar destruição em poucos minutos.

A intensidade é medida pela escala Fujita, que varia de F0 a F5, sendo esta última a categoria de maior poder destrutivo.

Esses eventos costumam surgir quando massas de ar quente e úmido encontram ar frio e seco, criando condições ideais para tempestades severas com rotação.

Embora sejam mais frequentes nos Estados Unidos, onde ocorrem cerca de 1.200 registros por ano, tornados também são observados em países da Europa, Ásia, África, Oceania e América do Sul. Nesta última, as latitudes médias — onde está localizado o sul do Brasil — figuram entre as regiões com maior incidência do fenômeno.

Especialistas destacam, porém, que o Brasil ainda carece de um sistema nacional consolidado para registrar e catalogar tornados. A ausência de uma base histórica abrangente faz com que o número real de ocorrências no país provavelmente seja superior ao oficialmente documentado.

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