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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar em dúvida a integridade das eleições presidenciais de 2020 ao acusar, sem apresentar provas, a China de interferir no pleito vencido por Joe Biden.

Em um pronunciamento de cerca de 25 minutos na Casa Branca, Trump afirmou que o sistema eleitoral americano está vulnerável à ação de potências estrangeiras e anunciou a desclassificação de documentos de inteligência que, segundo ele, revelariam falhas na infraestrutura eleitoral. Também determinou que o Departamento de Justiça, o FBI, a CIA e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional investiguem um suposto encobrimento dessas informações.

“Não há como um país ser grande sem eleições justas e honestas”, disse Trump na Casa Branca. “Se não houver confiança, não pode haver grandeza. Infelizmente, o sistema que temos está catastroficamente aquém desse padrão”, declarou.

O discurso foi recebido com críticas de democratas, que acusaram o presidente de tentar desacreditar o processo eleitoral e criar um ambiente de desconfiança antes das eleições legislativas de novembro, nas quais os republicanos podem perder espaço no Congresso.

O senador democrata Mark Warner afirmou que as alegações de Trump já foram analisadas e rejeitadas pela comunidade de inteligência, pelo FBI, pelo Departamento de Justiça, pelo Departamento de Segurança Interna, por autoridades eleitorais estaduais, além de auditorias, recontagens e decisões judiciais. Warner reconheceu que China, Rússia e Irã representam ameaças estratégicas aos Estados Unidos, mas afirmou que elas devem ser enfrentadas com base em fatos, e não exploradas politicamente.

Durante o pronunciamento, Trump afirmou que documentos recém-desclassificados demonstram que o sistema eleitoral esteve exposto a invasões e interferências estrangeiras. As declarações, porém, contradizem conclusões da própria administração republicana.

Em 2021, uma avaliação conduzida pelo então diretor de Inteligência Nacional, John Ratcliffe, apontou que a eleição de 2020 foi a mais segura da história do país. Trump acusou órgãos de inteligência de esconder essas informações e ordenou a abertura de investigações para identificar os responsáveis pelo suposto encobrimento.

Recentemente, o presidente nomeou seu aliado Bill Pulte para o comando interino da Inteligência Nacional, apesar de ele não ter experiência na área. Ao lado do assessor especial John Solomon, Pulte liderou a divulgação de documentos que, segundo o próprio Solomon, não apresentam evidências de que qualquer país tenha alterado votos na eleição de 2020.

Trump voltou a defender a aprovação do Save America Act, projeto que endurece as exigências de identificação de eleitores e está parado no Congresso. “O Congresso precisa aprovar o Save America Act. É simples, a menos que alguém queira fraudar as eleições”, afirmou. O presidente também fez breve referência ao conflito com o Irã, dizendo que os Estados Unidos estão “vencendo” e que os resultados serão vistos em breve.

O pronunciamento foi acompanhado por cerca de 55 convidados, entre eles o vice-presidente JD Vance e integrantes do governo. Durante a apresentação, Trump alternou a leitura do texto preparado com comentários improvisados.

As emissoras NBC, ABC e CNN decidiram não transmitir o discurso em suas redes abertas, alegando preocupação com o caráter político e potencialmente inflamatório da mensagem. Trump reagiu pedindo a revogação das licenças de transmissão dessas empresas, embora elas tenham exibido o pronunciamento em suas plataformas digitais.

Antes da fala presidencial, democratas já criticavam a iniciativa. A ex-vice-presidente Kamala Harris afirmou que Trump pretendia “espalhar mentiras e teorias da conspiração”. “A eleição de 2020 não foi roubada. Nós vencemos e ele perdeu”, escreveu nas redes sociais, acrescentando que o Save America Act representa uma tentativa de restringir o acesso ao voto.

A China negou as acusações. Em nota à CNN, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington afirmou que o país “sempre respeitou o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros Estados”. As declarações de Trump contrastam com o tom mais conciliador adotado por seu governo desde a visita do presidente a Pequim, em maio, quando se reuniu com Xi Jinping. O líder chinês foi convidado para visitar Washington em setembro.

Relatório divulgado pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos em 2021 concluiu que nenhum país, incluindo a China, tentou alterar tecnicamente o processo de votação de 2020.

O documento aponta que a Rússia promoveu campanhas de influência para prejudicar Joe Biden, mas afirma que Pequim não realizou ações destinadas a modificar o resultado da eleição. Segundo a avaliação, a liderança chinesa não via vantagem clara na vitória de Trump ou de Biden e considerou que uma interferência colocaria em risco as relações bilaterais.

 

 

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