Trump e chilenos exigem, e quadro de Allende ‘some’ da OEA

Quadro foi inaugurado em 2023 para marcar os 50 anos do golpe de estado no Chile; extrema direita faz cruzada contra símbolos de esquerda
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Num gesto raramente visto na diplomacia internacional, a secretaria da OEA (Organização dos Estados Americanos) foi obrigada a retirar de seu saguão de entrada um quadro com a imagem de Salvador Allende. O ex-presidente chileno foi alvo de golpe de estado em 1973, numa operação se transformou em um símbolo dos anos de chumbo e da intervenção dos EUA na América Latina.

Em 2023, para marcar os 50 anos do golpe que colocou Augusto Pinochet no poder, o governo chileno de Gabriel Boric presenteou a OEA com o quadro. Uma resolução aprovada pelo Conselho da entidade ainda batizou a entrada do prédio de “Salvador Allende”.

Na resolução, os governos lembraram que “processos semelhantes (de golpes de estado) ocorreram em outros países do hemisfério, com rupturas de processos democráticos que incluem a repressão de direitos humanos, incluindo direitos civis e políticos, e a destruição das instituições democráticas”.

Havia ainda uma decisão de “realizar um reconhecimento apropriado ao ex-presidente do Chile, Salvador Allende Gossens, nos mesmos termos que foram aplicados às figuras históricas do hemisfério que foram homenageadas na sede da Organização”.

Agora, com o governo norte-americano adotando um foco de eliminar qualquer vestígio da esquerda na América Latina, símbolos e homenagens também passaram a ser questionados.

A diplomacia americana também vem manobrando nos bastidores para nomear funcionários e relatores da Comissão Interamericana de Direitos Humanos com posições ideológicas alinhadas à extrema direita.

No Chile, o governo de José Kast também encampou a pressão sobre a OEA. O atual presidente do país latino-americano é irmão de Miguel Kast, que atuou como ministro e presidente do Banco Central durante a ditadura militar em Santiago.

O quadro de Allende, segundo o ICL Notícias apurou, “sumiu” da entrada do prédio e agora ficará armazenado na sede da OEA, sem exibição ao público.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail