Centenas de integrantes mascarados do grupo supremacista branco conhecido como Patriot Front marcharam pelas ruas de Washington no último sábado (4), durante as celebrações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos.
A marcha supremacista, realizada nas proximidades do Capitólio, ocorreu sem intervenção das autoridades e foi classificada pelo secretário do Interior, Doug Burgum, como um ato “protegido pela liberdade de expressão”.
Burgum afirmou ainda que os participantes “não fizeram nada ilegal”. Embora tenha dito que a ideologia do grupo é algo com o qual ele “jamais poderia concordar”, o secretário declarou que o ato está protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana, “mesmo que isso torne a democracia confusa”.
Manifestantes no National Mall de Washington que criticam o presidente Donald Trump têm os mesmos direitos, “e ainda assim são autorizados a continuar por causa da liberdade de expressão em nosso país”, declarou Burgum.
A marcha reuniu cerca de 400 integrantes da organização racista, que desfilaram ao som de tambores carregando bandeiras dos Estados Unidos — algumas hasteadas de cabeça para baixo — e bandeiras confederadas, símbolo associado aos estados escravistas do Sul durante a Guerra Civil. Os manifestantes gritavam palavras de ordem como “reconquistem a América” enquanto percorriam ruas próximas ao Congresso.
Quem são os supremacistas da Patriot Front?
A Patriot Front surgiu após o rompimento de um grupo neonazista, em 2017, no Texas, e é liderada por Thomas Rousseau, que participou da marcha em Washington. A organização prega o nacionalismo branco e a formação de um Estado voltado exclusivamente aos descendentes de europeus.
Entre suas bandeiras estão a oposição à imigração e ao multiculturalismo, vistos pelo grupo como ameaças à identidade dos Estados Unidos. Seus membros também defendem a teoria conspiratória de a “Grande Substituição”, amplamente difundida por movimentos da extrema direita.
A presença de dezenas de manifestantes mascarados e vestidos de preto chamou a atenção. O cortejo pelas ruas e pelo metrô da capital americana gerou forte repercussão e uma foto icônica do repórter Cheney Orr, da Agência Reuters. Nela, uma mulher afro-americana divide o mesmo vagão de metrô com uma legião de manifestantes supremacistas. A cena rapidamente viralizou por relembrar a cena vivida pela ativista Rosa Parks, no período da segregação racial.

Durante o primeiro governo de Donald Trump, a ascensão de grupos de extrema direita ganhou força, especialmente após os protestos de Charlottesville, na Virgínia, em 2017. Na época, militantes da extrema direita se reuniram contra a retirada da estátua do general confederado Robert E. Lee. O ato terminou em violência quando um simpatizante atropelou manifestantes antirracistas, matando uma mulher e deixando dezenas de feridos.
A reação de Trump foi dizer que há “pessoas muito boas dos dois lados” do confronto, declaração que foi enxergada como uma forma de legitimação das políticas racistas e separatistas desses movimentos.
Já no início de seu segundo mandato, o republicano concedeu perdão a cerca de 1,6 mil condenados pela invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Entre os beneficiados estavam integrantes e líderes de grupos de extrema-direita, como os Proud Boys e os Oath Keepers.
Esse histórico ajuda a explicar o conforto da Patriot Front em desfilar pelas ruas de Washington durante as comemorações do Dia da Independência sem sofrer qualquer intervenção das autoridades.