Por Rodrigo Borges, de Goiânia
O vereador de Goiânia Fabricio Rosa (PT) e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Leandro de Almeida Costa foram detidos, na manhã desta sexta (17) de forma violenta pela Polícia Militar de Goiás durante uma manifestação pacífica em Santa Helena de Goiás, a 200 km da capital. Fabrício já foi liberado, fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Rio Verde e apresenta marcas de agressão nas costas e ombro.
O vereador contou ao ICL Notícias que, ao chegar à manifestação, foi impedido de se aproximar pela PM, que não deram explicações legais para o motivo da barreira. Ao comeaçar a gravar um vídeo e questionar a atitude dos policiais, é possível ver o major da PM Guimarães, que se identificou como comandante da 21ª Companhia da corporação, reagir violentamente.
Fabrício conta que integrantes do Acampamento Leonir Orbak, que fica no município, manifestaram de forma pacífica na GO-210, às portas da Usina Santa Helena que tem dívidas milionárias com a União, mas que não bloquearam a rodovia e nem invadiram a propriedade.
Durante a abordagem truculenta, Fabrício Rosa conta que levou socos nas costas e ficou uma hora dentro do camburão antes de ser levado à delegacia. Ele conta que primeiro tentaram acusá-lo por desobediência e, depois, por desacato.
Paralelos
O ato violento acontece no Dia Internacional da Luta Camponesa e Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, além dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. “Esta violência acontece dentro de um contexto de uma política que mata militantes. Não conseguimos avançar na reforma agrária dentre dezenas de terras improdutivas em Goiás”, explica o vereador.
Assim como em Eldorado dos Carajás, nenhum dos policiais que acmpanhavam a manifestação pacifica tinha identificação em suas fardas.
O que diz a PM
Em nota, a Polícia Militar de Goiás diz que:
“Durante a ocorrência, um vereador de Goiânia reiteradamente descumpriu ordens legais emanadas pela equipe policial, tentou romper o isolamento estabelecido e proferiu ofensas contra os policiais militares. Em razão de sua conduta, foi realizada sua prisão em flagrante pelos crimes de desobediência e desacato.
Houve resistência ativa à prisão, sendo necessário o uso proporcional da força para contenção, conforme os protocolos operacionais vigentes”
No vídeo, é possível ver que o vereador não tentou furar o bloqueio e que não proferiu ofensas contra os agentes, apenas críticas à violência policial.