A vereadora Mariana Conti (PSOL-SP) anunciou que integrará a Flotilha da Liberdade, iniciativa internacional que partirá no final de agosto rumo à Faixa de Gaza com o objetivo de levar ajuda humanitária e denunciar o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. Ela viajou para a Espanha e fará treinamento preparatório para a viagem.
Com a presença de ativistas de 40 países, entre eles brasileiros, a ação prevê a saída da primeira embarcação de Barcelona em 31 de agosto, seguida por outros barcos que partirão no dia 4 de setembro de Túnis, na Tunísia, e de portos ainda não divulgados. A previsão é de chegada a Gaza por volta de 13 de setembro.
Segundo a Freedom Flotilla Brasil e o Global Movement to Gaza Brasil, entre 8 e 15 brasileiros estarão a bordo, em missão que busca criar um corredor humanitário para levar comida, água e medicamentos ao povo palestino. As organizações afirmam que a iniciativa tem respaldo legal em medidas da Corte Internacional de Justiça e resoluções da ONU que garantem o acesso de ajuda humanitária à região.
Em nota conjunta, as entidades afirmaram: “Nossos corações se solidarizam com o sofrimento do povo Palestino que vive ao primeiro genocídio amplamente televisionado. São centenas de milhares de palestinos feridos ou assassinados, e outros milhões afetados pela inanição, doenças e falta de atendimento médico deliberadamente causados pelo pelo regime sionista”.

Vereadora pede licença da Câmara para ir a Gaza
Mariana Conti destacou que sua participação está diretamente ligada ao mandato parlamentar que exerce em Campinas (SP):
“O genocídio promovido por Israel em Gaza é o maior horror de nosso tempo. Quem luta por um mundo melhor não pode se esquivar dessa luta. A cada dia a situação em Gaza se agrava, a limpeza étnica avança e a máquina de guerra sionista segue destruindo vidas, hospitais, escolas e abrigos”, disse a vereadora.
“Como parlamentar, estou a serviço da população que me elegeu. Construo coletivamente um mandato antifascista, que combate a extrema direita e defende os interesses dos oprimidos. E é exatamente isso que estou fazendo nesse momento”, declarou.
A vereadora também criticou o silêncio midiático e a censura em torno da cobertura do conflito: “Apesar de ser um genocídio televisionado, a grande imprensa mundial se cala, e Israel assassina aqueles que fazem a cobertura. As big techs também cumprem um papel nesse silêncio, censurando quem defende a Palestina e lucrando com o genocídio”.
Em junho, uma embarcação da Flotilha da Liberdade que tentava chegar a Gaza foi interceptada por Israel em águas internacionais. Doze tripulantes foram detidos, entre eles o ativista brasileiro Thiago Ávila. Na ocasião, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) classificou a ação israelense como crime de guerra e defendeu que o Brasil suspendesse relações diplomáticas e comerciais com Tel Aviv.
Conti reforçou que a participação de ativistas brasileiros é parte de um esforço internacional de solidariedade: “Você que fica também é parte muito importante dessa luta. (…) O apoio à resistência do povo palestino, que enfrenta um dos regimes mais monstruosos da história recente da humanidade, é uma luta de todos os povos oprimidos do mundo”.