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Xico Sá

Escritor e jornalista, faz parte da equipe de apresentadores do ICL Notícias. Com passagem por diversas redações e emissoras de tv, ganhou os prêmios Esso, Folha, Abril e Comunique-se. Participou de programas como Notícias MTV, Cartão Verde (Cultura), Redação Sportv, Papo de Segunda (GNT) e Amor & Sexo (Globo). É autor de Big Jato (Companhia das Letras) e A Falta (Planeta), entre outros livros. O colunista nasceu no Crato, na região do Cariri cearense, e iniciou sua trajetória profissional no Recife.

Xenofobia explica a origem da campanha contra Flávio Dino

Deboche inteligente no estilo "peba na pimenta" desmontou o esquema fascista de lacração
4 de dezembro de 2023

Toda e qualquer ideia da atual rejeição da extrema direita ao nome do ministro Flávio Dino (Justiça) para o STF tem origem em um ato de xenofobia de Jair Bolsonaro, ainda em 19 de julho de 2019.

Em momento de popularidade em alta, o ex-presidente definiu o então governador maranhense como alvo de ataque preconceituoso e atiçou a militância sintonizada com o seu pensamento macabro:

— Daqueles governadores de… “paraíba”, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara — disse, em orientação ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

Nascia assim a perseguição administrativa e política à gestão de Flávio Dino, campanha que se tornaria implacável um ano depois, durante a pandemia do Covid-19 no país.

O tratamento pejorativo “paraíba”, muito usado no Rio de Janeiro em relação aos nordestinos em geral, acionou o gatilho do “gabinete do ódio”, departamento comandada no Palácio do Planalto pelo filho 02, o vereador carioca Carlos Bolsonaro.

O conflito aumentava conforme crescia o desprezo e o escárnio de Bolsonaro com as vítimas do Coronavírus. Nesse período, o Consórcio Nordeste, grupo liderado pelo governo maranhense, saía em defesa do uso de máscaras, compra de vacina e proteção social.

Nas redes bolsonaristas, Dino foi eleito imediatamente como alvo preferencial de ataques de gordofobia e do surradíssimo “comunista”, a mesma ladainha repetida na semana passada pela ex-primeira-dama Michelle.

Tudo que ecoa nos gabinetes da extrema direita e dos conservadores do Senado nesse momento é apenas uma versão revista e ampliada da xenofobia do ex-capitão — paulista de nascimento com formação militar e política no Rio de Janeiro.

Os embates do ministro de Lula com parlamentares extremistas, no palco das comissões do Congresso, apenas realçaram os rastros de ódio percorridos pela tropa fascista desde 2019.

Flávio Dino desmontou o esquema de lacração da turminha com o deboche inteligente no melhor estilo “peba na pimenta”, para citar a música do cantor e compositor João do Vale, seu conterrâneo maranhense.

O mesmo artista do clássico “Carcará”, o que pega, mata e come, hino nacional nas vozes de Nara Leão e Maria Bethânia.

Pisando na fulô, para seguir no baile de João, o ex-governador deve ter o nome aprovado para o STF no dia 13 de dezembro. Apesar da campanha bolsonarista, contará com o apoio da maioria dos senadores.

Atente para a feliz coincidência da data: 13 é a celebração do nascimento de Luiz Gonzaga, Dia Nacional do Forró.

Vai ter arrasta-pé em mais uma vingança da Democracia brasileira em um 2023 que começou com a maldita tentativa de golpe e terrorismo do 8 janeiro.

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