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Carla Zambelli e Walter Delgatti são indiciados pela PF por invadir site do CNJ

Investigação aponta que deputada teria invadido quatro vezes o sistema do Conselho Nacional de Justiça
29 de fevereiro de 2024

A Polícia Federal indiciou a deputada federal Carla Zambelli (PL–SP) e o hacker Walter Delgatti Neto por suspeita de invasões ao site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A dupla também foi indiciada por falsidade ideológica.

De acordo com as investigações, Zambelli teria cometido quatro vezes o crime de invasão de dispositivo informático qualificado. Já Delgatti teria invadido o sistema do CNJ 22 vezes. Nas ocasiões, teriam sido inseridos documentos falsos no sistema do Judiciário.

As investigações apontam que foi inserida uma falsa ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até mesmo uma assinatura do magistrado teria sido falsificada.

Segundo o G1, a minuta da falsa ordem de prisão contra Moraes foi publicada na imprensa na noite de 4 de janeiro, três horas após Zambelli receber do hacker. A divulgação alertou o CNJ sobre o hackeamento e motivou a investigação da PF.

Documentos de Zambelli

Na investigação da PF, foram encontrados outros três documentos falsos em equipamentos pessoais da deputada. Entre eles, uma ordem de quebra do sigilo bancário do ministro Alexandre de Moraes, que teria sido gerada no computador de Delgatti, no dia 4 de janeiro de 2023, às 22h22, e criada no celular de Zambelli apenas 22 segundos depois.

Outro documento seria um recibo de bloqueio de bens do ministro do STF, no valor de R$ 22,9 milhões. Criado no computador de Delgatti, no dia 4 de janeiro, às 22h23, e no celular de Zambelli, no dia seguinte, às 16h14, o valor é o mesmo da multa que o ministro impôs ao Partido Liberal por contestar a eleição de 2022.

As investigações da PF apresentaram ainda outro documento. Um segundo recibo de bloqueio de bens de Alexandre de Moraes, de R$ 500 mil, criado por Delgatti em 25 de novembro de 2022, às 22h34.

Carla Zambelli acumula atritos com a Justiça. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Relatório contra Zambelli

O relatório da PF será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se aceita ou não denúncia contra a deputada Carla Zambelli.

Caso a denúncia seja aceita, será iniciada ação penal contra a bolsonarista, que poderá levar à condenação ou absolvição. O relator da investigação no STF é o ministro Alexandre de Moraes.

As defesas de Carla Zambelli e do hacker Walter Delgatti não se pronunciaram até o momento.

Histórico

A deputada Carla Zambelli (PL–SP) tem histórico de embates com a Justiça. Em 21 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou multa de R$ 30 mil à parlamentar por disseminar fake news sobre o processo eleitoral brasileiro e o aplicativo e-Título durante a campanha de 2022.

O plenário considerou a conduta como propaganda eleitoral irregular na internet. Outros dois citados no processo, o assessor parlamentar e ativista de direita Dárcio Bracarense e Inácio Florêncio Filho, também foram multados em R$ 15 mil, cada, por criar e divulgar informações falsas.

Fake News

Investigação da Polícia Federal identificou que um assessor da deputada federal Carla Zambelli (PL–SP) teria disseminado informações falsas sobre as urnas eletrônicas após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

De acordo as investigações da PF, Jean Hernani Vilela foi responsável por disponibilizar na internet vídeo em que o argentino Fernando Cerimedo, que se intitula consultor político, apresentava informações falsas sobre supostas vulnerabilidades das urnas eletrônicas brasileiras.

CPMI 8/1

Carla Zambelli também foi indiciada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro do Congresso Nacional. O texto da senadora Eliziane Gama (PSD–MA) foi aprovado 18 de outubro de 2023.

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