O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou neste domingo (13) que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, envie ao seu gabinete uma cópia completa dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O pedido ocorre a dois dias do julgamento em que o plenário da Corte deve examinar o relatório da PF sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Para Gilmar, o acesso ao conteúdo integral é necessário para que os ministros possam avaliar adequadamente o material que servirá de base para a sessão de terça-feira (15). O ministro ressaltou, porém, que o compartilhamento interno dos dados não representa uma quebra de sigilo.
“O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete, nos mesmos termos do acesso de que dispõe o Relator desde 8 de março de 2026. O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial”, disse Gilmar Mendes.
O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. Gilmar argumentou que, sem examinar os dados mantidos há mais de seis meses no gabinete do ministro André Mendonça, não seria possível verificar se o relatório da PF contém lacunas ou contradições.
‘Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção”, afirma.
O pedido de Gilmar foi apresentado horas depois de Cristiano Zanin determinar que a Polícia Federal entregasse, até as 23h deste domingo, uma cópia integral do conteúdo do telefone ao seu gabinete. Zanin sustentou que não existe “hierarquia entre os ministros do STF” e que as provas utilizadas pelo plenário não pertencem exclusivamente ao relator. O ministro também destacou que a própria PF informou ter condições técnicas de fornecer cópias dos dados aos gabinetes sem comprometer a preservação das provas.

Contra o acesso
André Mendonça havia se manifestado contra o compartilhamento completo do material, afirmando que a medida poderia “contribuir para tumultuar” o julgamento e colocar “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”. Segundo ele, os ministros já tinham acesso às informações necessárias para a análise prevista no plenário.
A posição, entretanto, foi contestada por ministros que passaram a cobrar acesso irrestrito ao espelhamento do aparelho antes da sessão. Gilmar afirmou que, se um integrante do colegiado dispõe de dados relevantes para a decisão, os demais também têm o direito de examiná-los.
Zanin acrescentou que o conteúdo já havia sido disponibilizado à defesa de Vorcaro e defendeu que os julgadores não podem sofrer restrições no acesso às informações necessárias para formar convicção, já que todos estão submetidos ao dever de sigilo.
“(…) não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência”.
Ao determinar o envio da cópia, Zanin ainda deixou aberta a possibilidade de que outros ministros façam solicitações semelhantes. Segundo ele, a ordem para entrega do material até o fim deste domingo vale “sem prejuízo de outros gabinetes que possam encaminhar idêntica requisição para obter os mesmos dados colocados à disposição do Relator”.