Daniel Vorcaro usou terrenos superfaturados e fundos de pensão para comprar Master

Autoridades investigam o esquema do escândalo financeiro
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Documentos do Banco Central mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro usou terrenos superfaturados e dinheiro de fundos de pensão de servidores públicos para comprar o então Banco Máxima, atualmente Master. As informações são de reportagem do portal UOL.

A transação foi financiada indiretamente por recursos de fundos de pensão de servidores públicos, aplicados em fundos de investimento cujos gestores, ligados a Vorcaro, foram condenados por fraude. Vorcaro e o Banco Master não responderam aos questionamentos da reportagem, mas negaram irregularidades na gestão do banco.

O Banco Central avaliou a aquisição ao longo de 2018, exigindo, entre outras condições, um aporte de R$ 50 milhões por Vorcaro. Para justificar a origem do recurso, ele apresentou receita operacional bruta de R$ 89 milhões da Viking Participações, sua empresa no setor imobiliário.

Valorização de terreno chegou a 11.000%

Parte dessa receita veio da venda de um terreno em Jequitibá (MG), avaliado em R$ 57 milhões no contrato com o Fundo Imobiliário São Domingos, embora o terreno fosse, na realidade, uma área vazia regularizada por R$ 2,5 milhões em 2015. A valorização “no papel” chegou a 2.180% em dois anos.

O padrão se repetiu em outras operações imobiliárias ligadas ao Banco Master, como a valorização de 11.000% de um imóvel em 36 dias, caso que já havia sido investigado pela revista piauí.

A Polícia Federal mantém investigações sobre a prática de inflar ativos de fundos imobiliários associados ao Master para viabilizar operações financeiras.

Relações entre Vorcaro e fundos de pensão

O Fundo São Domingos, que teria adquirido o empreendimento de Vorcaro, foi abastecido por investimentos de fundos de pensão de servidores públicos. Relatórios públicos não identificam os cotistas, mas apontam vínculo entre Vorcaro e o ex-dono do Máxima, Saul Dutra Sabbá, condenado por simular transações para inflar balanços do banco entre 2014 e 2016.

Após a aquisição, os R$ 57 milhões usados para capitalizar o banco vieram, na prática, de um fundo controlado por pessoas ligadas a Vorcaro, gerando indícios de conflito de interesse. O BC solicitou laudo para comprovação do valor do terreno, mas aprovou a operação em novembro de 2018.

O Fundo São Domingos registrou prejuízo de R$ 109 milhões em 2017 e foi alvo de condenação pela CVM em 2022 por má gestão de ativos, incluindo negócios com empresas da família de Vorcaro.

Operações anteriores, como uma permuta de R$ 50 milhões com a Milo Investimentos, também foram apontadas como supervalorizadas pela área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A investigação mostra ainda que os imóveis em Jequitibá estavam registrados em nome de Aroldo Rodrigues da Silva, empresário com histórico de negócios imobiliários com Vorcaro. Contatos da reportagem do UOL com Vorcaro, responsáveis pelo Master, Foco DTVM e Fundo São Domingos não foram respondidos.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.