Atribuição de relatoria da ‘anistia light’ a Amin acirra disputa com Carlos Bolsonaro

Aliado histórico de generais, senador catarinense busca reeleição concorrendo com candidato forasteiro que abriu racha na direita local
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O senador Esperidião Amin (PP-SC) pode ter ganhado um presente real — ou de grego — ao ser escolhido para relatar, no Senado, o texto já polêmico do PL da Dosimetria, que diminui drasticamente a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado, dentre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Isso porque a relatoria pode ser um presente para a sua candidatura à reeleição ao Senado, amplamente noticiada por fazer parte de um impasse que envolve Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), ambos pré-candidatos.

A tendência é que o trio divida votos no campo bolsonarista e coloque em risco o projeto desenhado por Jair Bolsonaro para eleger o maior número de representantes possíveis ao Senado.

Até aqui, Amin tem “jogado parado”. O senador aguarda os arranjos partidários que o colocam em dupla com Carlos Bolsonaro, caso se confirme a composição imaginada pelo governador do Estado, Jorginho Mello (PL), e lançada há meses pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Amin é um nome forte na chapa de reeleição de Mello. Ele traz tempo de televisão e amarra um partido bastante popular em Santa Catarina, o PP, ao seu projeto de poder. Nas eleições de 2022, Amin concorreu ao governo contra Jorginho Mello e conquistou menos de 10% dos votos.

Na relatoria, no entanto, ele ganha um desafio: se acatar o texto como veio da Câmara, desagrada o núcleo radical que passou os últimos meses dizendo que só aceitaria anistia ampla, geral e irrestrita. Ele próprio também sempre defendeu a tese, participando de atos públicos organizados em torno da pauta. Amin manifestou seu desejo de anistia para os condenados de 8 de janeiro.

Aliança

O experiente oligarca catarinense, que já governou o estado duas vezes e foi prefeito biônico de Florianópolis na ditadura, ganhou o presente de um aliado com quem já teve trocas importantes: o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre participou das conversas que resultaram no acordão da dosimetria, noticiado pela coluna de Luís Costa Pinto, no ICL.

Ele e Amin têm uma proximidade selada pelo menos desde 2019, quando o atual presidente foi eleito pela primeira vez para comandar o Senado, em uma eleição disputada que levou o rival, Renan Calheiros, a desistir de concorrer em cima da hora.

O catarinense também era candidato a presidir a casa, mas entrou como espécie de “linha auxiliar” de Alcolumbre para barrar as chances de Renan e tirar o MDB da posição da presidência logo no primeiro ano de governo Bolsonaro.

O gesto de assumir a relatoria da PL, portanto, pode ser lido como parte desse acordo que, além de manter a pauta com um senador experiente e politicamente articulado, pode dar uma chance de sobrevida para ele, escanteado pelo projeto bolsonarista de poder.

Carlos Bolsonaro, seus irmãos e o pai já manifestaram apoio à candidatura de Caroline de Toni, mesmo que ela saia do partido e vá para o Novo, situação cada vez mais provável.

Amin deve entregar o texto até a próxima quarta-feira (17), quando o Senado irá decidir o futuro dos condenados por tentativa de golpe. Apesar de bom negociador, é reconhecido como um homem “teimoso”, que insiste nos seus objetivos e que, por isso, talvez não seja servil a um acordo, mesmo que lhe beneficie direta ou indiretamente.

Por enquanto, ele tem duas opções: manter o texto como está para possibilitar uma aprovação rápida ainda em 2025 ou fazer seu marketing eleitoral e deixar o cenário de disputa ao Senado mais embolado.

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