UE decide futuro do acordo com o Mercosul em reunião marcada por forte divisão

Chefes de Estado e de governo dos 27 países do bloco se reúnem em Bruxelas para deliberar sobre o tratado
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenta viabilizar nesta quinta-feira (18) a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Os chefes de Estado e de governo dos 27 países do bloco se reúnem em Bruxelas para deliberar sobre o tratado, que está em negociação há mais de duas décadas e agora enfrenta um de seus momentos mais decisivos.

O encontro ocorre em meio a um clima de forte tensão política. A França, principal opositora do acordo, já deixou claro que não dará apoio à proposta. O presidente Emmanuel Macron reiterou sua posição contrária e produtores rurais franceses e de outros países europeus protestam na capital belga contra o pacto, alegando risco de concorrência desleal, especialmente com produtos agrícolas do Mercosul.

Ao chegar à reunião, Von der Leyen destacou a importância estratégica do acordo. Segundo ela, obter sinal verde para a parceria é fundamental para que a União Europeia avance na assinatura do tratado.

Alemanha e Espanha pressionam por aprovação do acordo com Mercosul

Enquanto a França mantém resistência firme, Alemanha, Espanha e países nórdicos pressionam pela aprovação do acordo. Para esses governos, o tratado é visto como uma oportunidade de ampliar exportações e fortalecer a posição da Europa em um cenário global marcado pela concorrência chinesa e por tendências protecionistas nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que seria extremamente frustrante para a Europa não conseguir concluir o acordo com o Mercosul. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reforçou que a credibilidade da União Europeia na política comercial depende de decisões concretas neste momento.

Do outro lado, a França ganhou recentemente o apoio da Itália. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que considera precipitada a assinatura imediata e defendeu aguardar a conclusão de medidas de apoio ao setor agrícola europeu. Polônia e Hungria também se posicionam contra o pacto.

O peso da Itália na decisão

Pelas regras do Conselho Europeu, a aprovação do acordo exige o apoio de pelo menos 15 dos 27 países-membros, que representem no mínimo 65% da população da União Europeia. Nesse contexto, a Itália tem papel decisivo, por ser o terceiro país mais populoso do bloco. Com a França tradicionalmente contrária, o posicionamento italiano pode definir o desfecho da votação.

A União Europeia e o Mercosul juntos somam um PIB estimado em US$ 22 trilhões e cerca de 721 milhões de habitantes. O acordo prevê redução ou eliminação de tarifas comerciais, com potencial para dinamizar as economias dos dois blocos. Ainda assim, agricultores europeus temem perda de competitividade diante dos produtos sul-americanos.

A expectativa inicial era que o acordo fosse assinado em 20 de dezembro, durante a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. Para isso, no entanto, é necessário o aval prévio do Conselho Europeu.

Na véspera da reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso o tratado não seja fechado agora, o Brasil não voltará a negociar o acordo enquanto ele estiver na Presidência. A declaração aumentou ainda mais a pressão sobre os líderes europeus, que agora precisam decidir se avançam ou não com um dos maiores acordos comerciais já negociados pelo bloco.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.