Filha de Marielle aciona ONU a um mês do julgamento dos mandantes no STF

Instituto Marielle Franco pede atenção internacional diante de julgamento marcado para o final de fevereiro
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Num momento importante da democracia brasileira, Luyara Franco, filha de Marielle Franco e diretora-executiva do Instituto que leva seu nome, aciona a ONU e instituições internacionais para que acompanhem o julgamento dos mandantes do assassinato de sua mãe e de Anderson Gomes. A iniciativa está sendo revelada com exclusividade pelo ICL Notícias.

O processo está marcado para ocorrer nos 24 e 25 de fevereiro de 2026, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Marielle foi assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, em um crime caracterizado como ataque à representação política e à democracia. “O que está em jogo agora, segundo o Instituto, é se o Brasil será capaz de responsabilizar quem mandou matar, o que representa um posicionamento inequívoco de que a violência política não ficará impune”, disse o Instituto Marielle Franco (IMF) ao ICL Notícias.

A decisão de recorrer aos organismos internacionais, segundo a entidade, integra a estratégia de incidência nacional e internacional do IMF em torno de um processo considerado decisivo para a democracia brasileira. “O julgamento ocorre no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco e após quase oito anos de espera pela responsabilização dos mandantes do crime”, afirma o Instituto.

Nos documentos enviados para mais de 15 instâncias internacionais dos direitos humanos, o Instituto ressaltou que o caso de Marielle e Anderson se tornou emblemático da violência política, especialmente contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos, e que a decisão do STF terá impacto não apenas no Brasil, mas também será exemplo de referência internacional no enfrentamento à impunidade.

Além da ONU, Luyara acionou também a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e outros organismos no exterior.

“Estamos a menos de um mês de um julgamento que o Brasil levou anos para alcançar. Comunicar os organismos internacionais é afirmar que este caso ultrapassa fronteiras e que a democracia brasileira está sendo colocada à prova. A condenação dos mandantes é o que pode romper um ciclo histórico de impunidade. A responsabilização de quem mandou matar minha mãe e o Anderson é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a memória”, afirma Luyara Franco.

Segundo ela, ao dialogar com instâncias nacionais e internacionais, o Instituto Marielle Franco busca garantir “visibilidade, monitoramento e compromisso institucional com a realização de um julgamento justo, à altura da gravidade do crime”.

“Para o Instituto, o julgamento representa um marco histórico, por expressar a resposta do Estado brasileiro a um crime político cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador”, insistiu.

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