O governo brasileiro aceitou um convite da Casa Branca para participar, nesta quarta-feira, de uma reunião com cerca de 20 países para criar uma agenda comum sobre a exploração de terras raras. O encontro tem como objetivo isolar a China e criar um sistema de preço que permita que os importadores possam também influenciar no mercado global.
Conforme o ICL Notícias apurou, o convite foi enviado ao chanceler Mauro Vieira. Mas, por uma questão de agenda, ele não poderá participar. A representação brasileira ficará apenas com a embaixada do Brasil em Washington e ainda está sendo debatido se a chefia da missão diplomática na capital americana deve estar presente ou não.
Uma presença em escalão inferior se constrasta com a confirmação de ministros de diversos países, principalmente os mais aliados ao governo de Donald Trump. Os países do G7 estarão presentes, além de Austrália, Coreia do Sul e Índia, entre outros.
Do lado brasileiro, a ordem é a de estabelecer uma estratégia pela qual qualquer acesso dos EUA às terras raras nacionais inclua um compromisso de investimentos no país para a geração de maior valor agregado. O governo brasileiro tampouco quer abrir uma frente de tensão com a China e não irá aderir a nenhum movimento anti-Pequim.
A reunião nesta semana que será liderada por Marco Rubio, o chefe do Departamento de Estado norte-americano, ocorre num momento em que Trump anuncia o plano para construir um estoque estratégico de minerais críticos, avaliado em US$ 12 bilhões.
A proposta, conhecida como Projeto Vault, lançará um estoque estratégico inédito de minerais críticos. O plano reune US$ 1,67 bilhão em capital privado com um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA.
Assim como no caso da criação da aliança, a iniciativa de Trump visa reduzir a dependência dos EUA em relação à China para materiais essenciais a veículos elétricos, sistemas de defesa e tecnologia avançada.
O anúncio levou a uma disparada nas ações de mineradoras americanas. A MP Materials, operadora da mina Mountain Pass na Califórnia, teve uma alta de 6% no início do pregão de segunda-feira. A USA Rare Earth e a Critical Metals Corp. subiram 13% e 12%, respectivamente.
A USA Rare Earth, de fato, já manteve conversas com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, apresentando seus ativos de mineração e de ímãs no país ao governo federal. Essas negociações levariam, em última instância, a uma proposta de acordo que poderia fornecer à empresa cerca de US$ 1,6 bilhão em financiamento e incluiria uma participação acionária do governo dos EUA.