Nesta quarta (4), o Ibovespa começou o pregão em alta, mas rapidamente entrou em um cenário de forte volume de perdas ao longo do dia. O principal índice da B3 encerrou em queda de 2,14%, aos 181.708,23 pontos, acumulando uma perda de 3.966,20 pontos — o maior recuo desde 16 de dezembro, quando a baixa havia sido de 2,42%.
Por outro lado, o dólar terminou o dia estável em R$ 5,25, enquanto os juros futuros (DIs) fecharam de forma mista, oferecendo um breve respiro em meio à turbulência.
Segundo analistas, a queda na bolsa foi resultado de uma combinação de fatores. Um deles foi o movimento de realização de lucros, desencadeado após a divulgação dos resultados do Santander, que acabaram puxando uma correção em todo o setor financeiro e se espalharam para outros segmentos da bolsa.
Além disso, a bolsa brasileira segue altamente sensível ao cenário externo: assim como o fluxo de capital estrangeiro sustentou a alta recente, qualquer deterioração no humor global tem impacto imediato sobre os preços dos ativos.
No cenário internacional, Wall Street segue sob pressão, especialmente no setor de tecnologia, diante das avaliações elevadas das empresas. Mesmo com resultados acima do esperado da AMD, o mercado reagiu com cautela, e as ações recuaram.
Na Europa, o desempenho foi misto, enquanto o ouro retomou a trajetória de alta, após perdas recentes. Outro fator que chamou atenção foi o relatório ADP sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, que veio mais fraco em janeiro e reforçou dúvidas sobre a solidez da economia americana.
Em Brasília, decisões do Congresso adicionaram ainda mais incerteza ao quadro fiscal. Parlamentares aprovaram, de forma acelerada, projetos que ampliam gastos públicos ao reformular carreiras e alterar a estrutura de remuneração de servidores da Câmara e do Senado.
A possibilidade de veto presidencial abre espaço para novos ruídos institucionais, enquanto outras propostas, como o aumento de verbas de gabinete, elevam a percepção de risco fiscal. Para completar, dados do PMI de serviços mostraram perda de fôlego do setor em janeiro, com enfraquecimento dos novos negócios.
Destaques do Ibovespa
O setor financeiro foi o epicentro da queda. O Santander, primeiro grande banco a divulgar balanço do quarto trimestre, apresentou lucro dentro das expectativas, mas com sinais de deterioração na qualidade dos ativos, especialmente pela pressão da inadimplência. As ações caíram 2,70%, arrastando os demais bancos.
O Itaú Unibanco recuou 3,29%, o Bradesco perdeu 3,23%, enquanto o Banco do Brasil caiu 2,30%, a menor baixa entre os grandes do setor.
O varejo também sofreu: Lojas Renner caiu 2,50%, Magazine Luiza recuou 3,85%, e C&A teve leve perda. Ao final do dia, apenas sete ativos fecharam no campo positivo. Entre eles, a Vale, que conseguiu virar para alta de 0,49%, apesar da queda do minério de ferro.
A Petrobras não acompanhou a valorização do petróleo e encerrou com leve baixa de 0,16%. A Embraer caiu 3,74%, enquanto a Hypera teve uma das piores performances do pregão, despencando 10,30% após anunciar um aumento de capital inesperado.
Nem mesmo o setor de shoppings escapou: Multiplan recuou 0,33%, mesmo após o setor registrar faturamento recorde acima de R$ 200 bilhões.
Com informações da InfoMoney