O Banco de Brasília (BRB) tem até hoje para entregar ao Banco Central um plano de ação com medidas voltadas a fortalecer seus balanços patrimoniais em, no mínimo, R$ 5 bilhões. O montante exato a ser recomposto será especificado no documento e, se aprovado, deverá ser implementado em até seis meses.
A medida tem como objetivo garantir a solidez financeira do banco e evitar ruídos no mercado, preservando a confiança na instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
A determinação do Banco Central está ligada a operações feitas pelo BRB desde o final de 2024, quando o banco desembolsou bilhões de reais na compra de carteiras de crédito do Banco Master.
Posteriormente, verificou-se que essas carteiras haviam sido adquiridas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor pago pelo BRB. Também foi revelado que o Master não chegou a quitar a compra original desses créditos, embora tenha recebido pagamento à vista ao revendê-los ao banco brasiliense.
Esses fatores teriam pressionado o balanço patrimonial do BRB, embora, até o momento, não exista risco de falência ou de liquidação da instituição.
Garantia estatal e risco sistêmico
Especialistas apontam que o controle do BRB pelo governo do Distrito Federal — detentor de 71,92% do capital — diminui de forma relevante o risco sistêmico, já que o poder público teria capacidade patrimonial para apoiar o banco, se necessário.
Mesmo assim, a recomposição de capital é vista como fundamental para que o BRB siga cumprindo as exigências de solidez e segurança do sistema financeiro nacional.
Liquidação do Master e apurações
O Banco Master entrou em processo de liquidação pelo Banco Central em novembro, após ser constatada uma severa crise de liquidez, que o impedia de honrar compromissos com clientes e investidores.
Ao longo de 2025, o BRB ainda tentou comprar parte significativa do Master, com apoio do governador Ibaneis Rocha e do governo do DF, mas a operação foi vetada pelo Banco Central.
Entre 2024 e 2025, o BRB destinou R$ 16,7 bilhões ao Banco Master, e o Ministério Público investiga possíveis indícios de gestão fraudulenta nessas operações.
Conforme as apurações, cerca de R$ 12 bilhões teriam sido aplicados em carteiras de crédito consideradas problemáticas, que não estavam formalmente em nome do Master e careciam de garantias financeiras.