É possível. Dá pra encarar. Em uma só canetada, o ministro Flávio Dino (STF) acabou não somente com o auxílio-peru, auxílio-panetone ou auxílio-iphone dos procuradores de SP. O maranhense, com experiência prática nos três poderes, chacoalhou a luxuriante árvore dos penduricalhos do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Era preciso encarar os fura-tetos (salários e benefícios acima do limite constitucional de R$ 46.366,19) a qualquer custo. A decisão veio logo após a provocação dos lacradores da Câmara, com o aumento salarial na Casa.
O ex-juiz, ex-governador, ex-ministro da Justiça e ex-senador determina apenas que a Constituição seja cumprida. É só um “epa” na esculhambação geral. É pedir demais à turma da pilantragem?
Parece que sim. O império dos penduricalhos e outros adereços vem com tudo para cima de Flávio Dino.
A reação será pesada. É preciso que a gente segure a onda ao lado da decisão do ministro. O país não pode perder essa chance de romper com o sistema de eternas mamatas.
Poxa, a tia diarista Salete compra o panetone da família, sua horrores para levar a ceia natalina para casa e parcela em 12 vezes o celular mais barato… Por que um procurador do município de São Paulo não pode bancar o seu Iphone?
A decisão de Flávio Dino, data vênia para o meu entusiasmo, é histórica. Não podemos deixá-lo campeando solitário nas dunas ou apenas ao lado de um eventual Sancho Pança. É preciso quixotear juntos nessa causa.
A chance é de ouro. Aí sim teremos o início de um corte nos gastos eficiente. Não apenas a peixeira amolada dos tarados do ajuste fiscal para decepar programas sociais do governo.
Militante, panfletário, chame do que quiser, mas não podemos perder essa chance. Vamos para cima. Faltava um destemido que enxergasse o óbvio e paralisasse a safadeza dos fura-tetos.
Palmas para Flávio Dino. Como exalta o título daquele livro do escritor James Agee e do fotógrafo Walker Evans sobre os lavradores do Alabama na pós-Depressão dos EUA, elogiemos os homens ilustres.