O Banco de Brasília (BRB) entregou ao Banco Central na sexta-feira (6) o chamado Plano de Capital, documento que reúne medidas para reforçar o patrimônio da instituição caso seja confirmada a necessidade de aporte financeiro. A entrega ocorreu em reunião presencial de cerca de duas horas, na sede da autoridade monetária, em Brasília, sem declarações públicas dos participantes ao final do encontro.
O banco afirma que os valores ainda não estão definidos e só serão confirmados após a conclusão das investigações em andamento. O Banco Central, no entanto, trabalha com uma estimativa preliminar de que o reforço de capital necessário seja de ao menos R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do BRB.
Participaram da reunião o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e o secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias. O governo do DF é o acionista controlador da instituição e detém cerca de 72% de seu capital.
Medidas preventivas e prazo de 180 dias
Em nota oficial, o BRB afirma que o plano prevê “um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital” a serem implementadas ao longo dos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte. Segundo o banco, o objetivo é garantir a sustentabilidade da instituição e preservar a estabilidade das operações.
Os recursos, se aportados, devem ser usados para melhorar o perfil dos ativos do banco, reduzindo riscos associados ao patrimônio. Eventuais medidas que afetem diretamente o caixa do governo do Distrito Federal ainda dependerão de aval político da Câmara Legislativa do DF, onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) tem maioria.
Por que o plano foi necessário
A elaboração do Plano de Capital ocorre em meio a questionamentos sobre operações realizadas pelo BRB desde o fim de 2024, quando o banco gastou bilhões de reais para adquirir carteiras de crédito do Banco Master.
Meses depois, veio à tona que essas mesmas carteiras haviam sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor pago pelo BRB. Além disso, segundo apurações, o Master não teria quitado essas aquisições, mas ainda assim recebeu os valores à vista ao revendê-las ao banco público do DF.
Essas inconsistências fragilizaram o balanço patrimonial do BRB e acenderam alertas entre reguladores e no mercado financeiro, tornando necessário um plano formal para assegurar a solidez da instituição e evitar abalos à sua credibilidade.
Alternativas para reforço de capital
Os detalhes do Plano de Capital permanecem sob sigilo. No entanto, em comunicado divulgado no fim de janeiro, o BRB listou algumas alternativas estudadas para recomposição patrimonial, entre elas:
- Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do DF;
- Contratação de empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
- Aporte direto dos controladores, o que envolveria o governo distrital.
O governador Ibaneis Rocha (MDB) já afirmou publicamente estar disposto a utilizar patrimônio público do DF, inclusive imóveis, para viabilizar essas operações.
Especialistas avaliam que ainda não há risco imediato de falência ou liquidação do BRB, sobretudo porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal, com capacidade financeira para socorrer o banco.
Apesar disso, o reforço de capital é considerado essencial para que a instituição continue cumprindo os requisitos legais de solidez exigidos pelo sistema financeiro nacional.
Investigações envolvendo o Banco Master
As dificuldades do BRB estão diretamente ligadas ao caso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a identificação de uma grave crise de liquidez. Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir parte relevante do Master, com apoio do governo do DF, mas a operação foi barrada pelo regulador.
Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. O Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas operações.
Segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões teriam sido destinados à compra de carteiras de crédito de baixa qualidade, sem garantias financeiras e que sequer pertenciam ao Master.