União Europeia adia votação de acordo com os EUA após novas tarifas de Trump

Parlamento europeu adiou deliberação que ocorreria nesta terça-feira (24)
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A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu realizou na segunda-feira (23) uma reunião extraordinária para avaliar os impactos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou o chamado “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump.

Diante do novo cenário, os eurodeputados decidiram suspender o processo de implementação do acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos. A deliberação que ocorreria nesta terça-feira (24) foi adiada, assim como a votação em plenário prevista para o próximo mês.

A eurodeputada Zeljana Zovko, do Partido Popular Europeu (PPE), afirmou que a suspensão permanecerá “enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias” anunciadas pelo presidente americano.

O acordo e o novo impasse tarifário

O acordo comercial havia sido concluído em julho, após negociações intensas entre Bruxelas e Washington. O entendimento limitava a 15% as tarifas aplicadas pelos EUA à maioria dos produtos europeus — abaixo dos 30% inicialmente ameaçados por Trump.

Em contrapartida, o bloco europeu se comprometeu a eliminar tarifas sobre importações estadunidenses, medida que depende de aprovação parlamentar.

Após a decisão judicial, a Comissão Europeia solicitou “esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar”. A preocupação central é se Washington manterá os termos pactuados ou se adotará novas medidas unilaterais.

A decisão da Suprema Corte considerou ilegal o pacote tarifário anunciado em abril de 2025 por Trump contra diversos países, ao entender que o presidente não poderia impor as taxas sem aval do Congresso. Em resposta, o republicano anunciou inicialmente uma sobretaxa global de 10%, elevada 24 horas depois para 15%, com base em uma lei comercial de 1974. O instrumento, contudo, limita a vigência da medida a 150 dias, prorrogáveis apenas com aprovação legislativa.

Reações na imprensa e impacto político

A imprensa francesa classificou o episódio como um duro golpe para o presidente norte-americano. O jornal Libération descreveu a decisão como um “revés significativo”, enquanto o diário econômico Les Echos apontou uma “derrota contundente”.

Segundo as análises, as tarifas comerciais tornaram-se uma das principais ferramentas políticas de Trump. A decisão judicial, no entanto, reforça os limites constitucionais ao poder presidencial. Seis dos nove juízes da corte — incluindo três conservadores — votaram pela ilegalidade da medida.

Por outro lado, o entendimento é de que a nova tarifa global de 15% anunciada por Trump após a decisão da Suprema Corte reinstala a “confusão sobre o comércio mundial”.

China pressiona e cenário global se tensiona

A China também acompanha os desdobramentos e pressiona Washington a suspender o que classifica como taxas “unilaterais”. O Ministério do Comércio chinês afirmou que o país “defenderá com firmeza seus interesses”.

O episódio ocorre em um momento politicamente sensível para Trump. A decisão judicial pode fragilizar o presidente às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, e aumenta a expectativa em torno de seu discurso sobre o Estado da União.

 

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