Mercados recuam após rali da IA perder força; negociações EUA-Irã dominam agenda

O Brasil divulga, nesta quinta-feira (26), o IGP-M de fevereiro e sondagens setoriais da FGV
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os mercados globais operam majoritariamente em queda nesta quinta-feira (26), sinalizando arrefecimento da recuperação global observada após o chamado “medo da IA”, que pressionou Wall Street no início da semana. O movimento ocorre apesar do balanço acima do esperado da gigante de IA Nvidia, cuja reação contida reforçou a cautela dos investidores.

Após o fechamento do mercado financeiro, as ações da fabricante de chips chegaram a subir, mas devolveram ganhos ao longo da negociação. Embora tenha superado estimativas de lucro e receita no quarto trimestre, o desempenho não foi suficiente para dissipar dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações elevadas do setor. Já a Salesforce caiu cerca de 5%, aprofundando perdas acumuladas no ano em meio à reprecificação de empresas ligadas à inteligência artificial.

O cenário sugere que o mercado passa a exigir resultados mais robustos que justifiquem os múltiplos esticados, após meses de valorização impulsionada pela narrativa de IA.

No campo geopolítico, o foco se volta para Genebra, onde representantes dos EUA e do Irã realizam a terceira rodada de negociações nucleares, mediadas por Omã. O encontro ocorre às vésperas do prazo estipulado pelo presidente Donald Trump para um eventual acordo.

Na agenda econômica, o Brasil divulga o IGP-M de fevereiro e sondagens setoriais da Fundação Getulio Vargas. Nos Estados Unidos, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego, com expectativa de alta para 215 mil solicitações. A Europa também publica dados de confiança do consumidor.

Ainda no Brasil, a temporada de balanços segue após o fechamento, com resultados de empresas como B3, Axia Energia e Caixa Seguridade.

No cenário político, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que agora segue para o Senado e depende de ratificação dos demais países do bloco sul-americano para entrar em vigor.

Brasil

Apesar do recuo de 0,13%, o Ibovespa renovou na quarta-feira (25) sua máxima histórica pela 15ª vez no ano. O principal indicador da Bolsa brasileira superou pela primeira vez a barreira dos 192 mil pontos, encerrando aos 192.623,56 pontos. O resultado supera o recorde da véspera, de 191.780,77, e consolida o momento positivo do principal índice da B3.

No câmbio, o real acompanhou o movimento global de enfraquecimento da moeda norte-americana. O dólar comercial recuou 0,60%, cotado a R$ 5,125. No mercado de juros, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) terminaram a sessão de forma mista, após iniciarem o dia em alta.

Europa

As bolsas europeias operam em baixa nesta quinta-feira, com os investidores dirigindo o foco para a temporada de balanços corporativos. Devem divulgadar seus dados trimestrais hoje a Schneider Electric, Allianz, Rolls-Royce, AXA, Munich Re e Engie, entre outras.

STOXX 600: -0,10%
DAX (Alemanha): -0,18%
FTSE 100 (Reino Unido): 0,00%
CAC 40 (França): +0,30%
FTSE MIB (Itália): -0,11%

Estados Unidos

Os índices futuros recuam, enquanto os agentes se preparam para a divulgação de mais balanços corporativos, como o da Warner Bros. Discovery, Dell e CoreWeave.

Dow Jones Futuro: -0,19%
S&P 500 Futuro: -0,05%
Nasdaq Futuro: -0,04%

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam mistas, exceto o índice Nikkei, do Japão, que atingiu mais um recorde nesta quinta-feira, impulsionado pelo “comércio de Takaichi”.

O iene recuou 0,54% frente ao dólar na quarta-feira, sendo negociado a cerca de ¥ 156,70, após a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, indicar dois acadêmicos com perfil favorável a juros baixos para o conselho de política monetária do Banco do Japão (BoJ, em inglês).

Em discurso recente ao parlamento, Takaichi afirmou defender uma política fiscal que classificou como “responsável e proativa”. Ainda assim, investidores permanecem cautelosos diante dos riscos e do processo inflacionário, que pode ultrapassar a meta atual de cerca de 2%.

Shanghai SE (China), -0,01%
Nikkei (Japão): +0,29%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,44%
Nifty 50 (Índia): -0,15%
ASX 200 (Austrália): +0,51%

Petróleo

Os preços do petróleo sobem antes das negociações nucleares entre os EUA e o Irã, com alguns dos principais produtores do Oriente Médio aumentando as exportações, já que as preocupações com um possível conflito na região criam incertezas sobre o fornecimento.

Petróleo WTI, +0,17%, a US$ 65,53 o barril
Petróleo Brent, +0,24%, a US$ 71,02 o barril

Agenda

Na zona do euro, será divulgada a Confiança do Consumidor de fevereiro, com previsão de queda de 12,2%.

Por aqui, no Brasil, o Procon-SP apontou em levantamento divulgado na quarta-feira, que 39,7% dos apostadores se endividaram após passarem a usar sites de jogos e apostas on-line, as chamadas bets. A pesquisa também indica aumento no valor das apostas: 30,1% dos entrevistados afirmaram gastar, em média, mais de R$ 1.000 por mês. O relatório identificou sinais de alerta no comportamento dos apostadores. Mais da metade (56,6%) afirmou se sentir influenciado por propagandas com celebridades. Além disso, 52,4% disseram ter comprometido parte significativa da renda, recorrendo inclusive a dinheiro aplicado ou a empréstimos para continuar apostando.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.