Saída de Haddad da Fazenda depende de decisão sobre viagem aos EUA

Ministro diz que se reunirá com Lula nesta 5ª feira (26)
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na quarta-feira (25) que a definição sobre a data de sua eventual saída da pasta depende de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para esta quinta-feira (26). Segundo ele, a decisão está atrelada à confirmação de sua participação na viagem presidencial aos Estados Unidos, marcada para ocorrer entre 15 e 20 de março.

“Se eu for para os Estados Unidos, é uma data. Se eu não for, é uma outra data”, declarou o ministro, indicando que o calendário político e institucional ainda está em aberto.

Haddad tem resistido à pressão de aliados para disputar o governo de São Paulo nas eleições deste ano. Publicamente, já afirmou preferir atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, em vez de assumir uma candidatura majoritária.

Viagem aos EUA e agenda estratégica

A eventual ida de Haddad aos EUA ocorre em meio à preparação do encontro entre Lula e o presidente americano, Donald Trump. Na pauta, estão negociações sobre tarifas que ainda afetam produtos brasileiros, além de discussões sobre exploração de minerais críticos e terras raras, medidas de combate ao crime organizado e a situação política na América Latina.

A presença do ministro da Fazenda pode reforçar o peso econômico da comitiva, sobretudo em temas ligados a comércio exterior e investimentos.

Alta no imposto de importação

Em paralelo à agenda internacional, Haddad defendeu o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones. A medida, decidida no início do mês, pode elevar as alíquotas em até 7,2 pontos percentuais.

Segundo o ministro, a iniciativa tem caráter regulatório e busca proteger a produção nacional diante de práticas que classificou como “comércio internacional desleal”.

“Mais de 90% desses produtos são produzidos no Brasil. A medida é para proteger a produção nacional”, afirmou. Haddad argumenta que empresas estrangeiras estariam vendendo itens abaixo do custo no mercado brasileiro após dificuldades de comercialização na Europa e nos Estados Unidos.

Ele também sinalizou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) poderá revisar as alíquotas, inclusive zerando-as, caso julgue necessário.

Impacto nos setores e no consumidor

No caso dos smartphones, o governo afirma que 95% dos aparelhos comercializados no país são produzidos nacionalmente, o que, segundo o MDIC, reduziria o impacto direto sobre preços ao consumidor. Apenas 5% seriam importados.

Além de celulares, a lista inclui máquinas e equipamentos industriais, como caldeiras, turbinas, geradores, fornos industriais, empilhadeiras, robôs industriais, tratores, plataformas de perfuração, equipamentos médicos — como aparelhos de ressonância magnética e tomografia — e até cartuchos de tinta e painéis com LCD ou LED.

Parte das novas tarifas já entrou em vigor, e o restante passa a valer em março.

 

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