Entenda como o Estreito de Ormuz pode impactar as exportações brasileiras

Fechamento da passagem pode afetar proteína animal, madeira e outros produtos do Brasil
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, é um dos pontos mais sensíveis do comércio marítimo global. A via concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo e também é fundamental para o escoamento de fertilizantes, químicos, plásticos e grãos. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou a passagem no centro dos holofotes.

Para o Brasil, o estreito é crucial para o fluxo de exportações destinadas aos países do Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait —, uma região que depende exclusivamente dessa passagem para receber mercadorias.

Segundo dados de consultorias especializadas em comércio internacional, em 2025 o Brasil exportou 158,3 mil contêineres para esses países. Destes, cerca de 68% eram de proteína animal, principalmente frango; 13% de madeira; e 3% de papel e produtos derivados.

No total, essas exportações representam quase 5% de toda a pauta marítima brasileira, atingindo percentuais ainda mais altos para produtos específicos: 14,8% no setor de proteína animal e 23,4% no caso do frango.

Choques logísticos e custo do transporte

Especialistas alertam que qualquer interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz provoca impactos imediatos no comércio global. O fechamento ou paralisação da passagem gera choque logístico e elevação de custos para exportadores brasileiros.

A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou em um comunicado divulgado na quarta-feira (4) que tem o “controle total” do Estreito de Ormuz, ponto crucial para o comércio mundial de petróleo na entrada do Golfo Pérsico.

“Atualmente, o Estreito de Ormuz está sob o controle total da Marinha da República Islâmica”, declarou Mohamad Akbarzadeh, comandante das forças navais da Guarda, citado pela agência Fars.

Empresas de transporte marítimo já começaram a aplicar taxas adicionais, conhecidas como “taxas de guerra”, que podem variar entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner. Além disso, atrasos e falta de contêineres tendem a aumentar os prazos de entrega e a insegurança no planejamento de exportações, especialmente para produtos perecíveis, como carnes.

Suspensão de operações e medidas de segurança

Nos últimos dias, grandes companhias de transporte marítimo internacional suspenderam operações em portos do Golfo devido à escalada do conflito. Especialistas em comércio e logística ressaltam que essas decisões têm efeitos diretos sobre exportações brasileiras, especialmente aquelas voltadas para proteína animal, madeira e papel.

Paralelamente, seguradoras internacionais iniciaram negociações com governos para oferecer cobertura a navios-tanque e embarcações de carga, garantindo que a mercadoria brasileira continue chegando aos portos da região mesmo diante de riscos geopolíticos.

O estreito também influencia a logística aérea. Mais de 20 mil voos programados para hubs do Oriente Médio foram cancelados, afetando o transporte de pessoas e produtos do Brasil.

Passageiros brasileiros e empresas exportadoras precisam recorrer a rotas alternativas, mais longas e caras, o que eleva custos e dificulta a programação de viagens e embarques.

Consequências econômicas para o Brasil

Ainda é cedo para avaliar os possíveis impactos, mas interrupções no tráfego marítimo podem impactar preços internacionais de carne, madeira e outros produtos, além de gerar efeitos indiretos nos custos de frete, seguros e logística.

Especialistas apontam que, em um cenário de conflito prolongado, o Brasil precisaria diversificar rotas comerciais e fortalecer alternativas logísticas para reduzir a dependência dessa passagem estratégica.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.