O Irã realizou na madrugada desta segunda-feira (9), no horário local, uma série de ataques com mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, ampliando a escalada militar no Oriente Médio. Entre os alvos atingidos está a principal refinaria de petróleo do Bahrein, que sofreu danos e registrou um incêndio após bombardeio iraniano.
Segundo autoridades do Bahrein, um ataque com drones contra a ilha de Sitra deixou 32 civis feridos. O Ministério da Saúde informou que todos são cidadãos do país e que quatro deles estão em estado grave, incluindo crianças. Horas depois, outra ofensiva atingiu a instalação petrolífera de Al Ma’ameer, considerada uma das principais estruturas energéticas do país, provocando chamas e danos materiais.
A ofensiva iraniana começou poucas horas após a nomeação do clérigo Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do Irã. Ele é filho do aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto máximo do regime iraniano até morrer após um ataque aéreo israelense contra sua residência oficial no final de fevereiro. A televisão estatal iraniana informou que a primeira onda de mísseis foi disparada sob o comando do novo líder, em direção a Israel.

Ataques
A emissora estatal Irib afirmou que os projéteis tinham como destino os “territórios ocupados”, termo usado por autoridades iranianas para se referir a Israel. Em publicação nas redes sociais, o canal divulgou a imagem de um míssil acompanhada da frase “Às suas ordens, Sayyid Mojtaba”.
Israel respondeu à ofensiva com novos bombardeios contra alvos no território iraniano. As Forças de Defesa de Israel informaram ter atingido estruturas de infraestrutura na região central do Irã. Além disso, o Exército israelense afirmou ter realizado um ataque contra um alvo ligado ao Hezbollah em Beirute, no Líbano.
Os impactos do conflito se espalharam rapidamente pela região. No Qatar, explosões foram registradas na capital, Doha, durante a madrugada. Jornalistas da agência AFP relataram que as detonações ocorreram após o lançamento de mísseis vindos do Irã. O Ministério da Defesa qatari afirmou que as forças de defesa aérea interceptaram os projéteis.
No Kuwait, as autoridades também confirmaram um novo episódio de interceptação de armamentos. Segundo o Ministério da Defesa do país, sete mísseis e cinco drones foram abatidos pelos sistemas de defesa nesta segunda-feira.
Os ataques fazem parte da retaliação iraniana após uma ofensiva surpresa realizada no fim de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano. Na ocasião, a operação teve como alvo integrantes da cúpula política e militar do país persa. Desde então, Teerã passou a responder não apenas contra Israel, mas também contra bases militares americanas instaladas em países do Golfo, como Qatar, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Alguns desses ataques também atingiram áreas civis.
Diante do aumento das tensões, os Estados Unidos determinaram a retirada de parte do pessoal de sua embaixada na Arábia Saudita. A orientação foi direcionada a funcionários não essenciais e familiares de diplomatas, devido aos riscos de segurança provocados pela escalada do conflito.
O governo da Arábia Saudita condenou os ataques iranianos contra países do Golfo e declarou que as ações não podem ser aceitas nem justificadas em nenhuma circunstância. A posição foi divulgada em comunicado oficial publicado na rede social X.
#Statement | The Foreign Ministry reiterates the Kingdom of Saudi Arabia’s firm condemnation of the Iranian attacks against the Kingdom and the member states of the Gulf Cooperation Council, as well as a number of Arab, Islamic, and friendly countries, which cannot be accepted or… pic.twitter.com/edsDAJnSnF
— Foreign Ministry 🇸🇦 (@KSAmofaEN) March 9, 2026
Outro país que demonstrou preocupação com a situação foi a Turquia. O Ministério da Defesa turco informou que mobilizou seis caças F-16 para o norte de Chipre, território reconhecido apenas por Ancara, após um ataque com drones atingir a ilha na semana passada.
A escalada ocorre também em meio à intensificação da ofensiva militar de Israel no Líbano. Segundo informações divulgadas pelo grupo Hezbollah e citadas pelo jornal The New York Times, a organização realizou 18 operações militares no domingo, sendo 13 contra alvos israelenses e cinco dentro do território libanês. A ofensiva israelense no país já deixou quase 400 mortos.
A recente nomeação de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã pode ampliar ainda mais as tensões internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (8) que Washington deveria ter influência na escolha do sucessor da liderança iraniana. Em entrevista à rede ABC News, ele declarou que, sem aprovação americana, o novo líder “não vai durar muito”.
Trump também afirmou ao jornal The Times of Israel que a decisão sobre quando encerrar a guerra com o Irã será tomada em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Segundo o presidente americano, a decisão será “mútua”, embora a palavra final caiba a ele.
Questionado sobre a nomeação de Mojtaba Khamenei, Trump evitou comentar diretamente o assunto e disse apenas que será preciso aguardar os próximos desdobramentos do conflito.
A nova rodada de ataques eleva o risco de um conflito regional mais amplo no Oriente Médio, envolvendo não apenas Irã e Israel, mas também países do Golfo e aliados internacionais.