Mercados globais recuam à espera de inflação dos EUA e sob impacto da guerra

Brasil divulga a Pesquisa Mensal de Serviços e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os mercados globais operam em tom negativo nesta sexta-feira (13), com investidores à espera do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de janeiro, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central estadunidense. O dado ganha ainda mais relevância em meio à recente disparada do petróleo, que reforça preocupações com pressões inflacionárias.

A commodity avançou com força após a intensificação da guerra envolvendo o Irã. Em discurso na quinta-feira (12), o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio mundial de petróleo — deve permanecer fechado, além de indicar a possibilidade de novas frentes de conflito caso a guerra se prolongue.

O movimento elevou os preços do petróleo para o maior nível em quase quatro anos, após uma alta de cerca de 9% na sessão anterior. Com isso, investidores reduziram as apostas em cortes de juros pelo Fed ao longo de 2026, diante do risco de uma inflação mais persistente.

Na agenda econômica, o Brasil divulga a Pesquisa Mensal de Serviços e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. O Ministério da Fazenda também apresenta novas estimativas sobre os impactos do conflito no Oriente Médio para a economia brasileira.

Nos Estados Unidos, além do deflator do PCE, favorito do Fed para balizar a política monetária, serão publicados o relatório Jolts de abertura de vagas de emprego e a leitura anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.

Diante da alta volatilidade no mercado de energia, o governo brasileiro anunciou um pacote para mitigar os efeitos da escalada do petróleo, incluindo subsídios a importadores e produtores de diesel, isenção temporária de tributos federais sobre o combustível e a criação de um imposto provisório sobre exportações de petróleo bruto e diesel. Medidas também preveem penalidades para agentes que não repassarem os benefícios ao preço final.

Brasil

Ibovespa recuou 2,55%, encerrando a quinta-feira (12) aos 179.284,49 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,61%, a R$ 5,2423. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa dos Estados Unidos frente a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,49%, aos 99,72 pontos.

O clima de aversão ao risco voltou a dominar os mercados com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pressionando ativos globais. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e novos ataques a navios petroleiros elevaram as tensões no Oriente Médio e provocaram forte alta nos preços da commodity.

O barril do Brent voltou a superar a marca de US$ 100, acumulando valorização superior a 30% desde o início da guerra. A disparada do petróleo aumentou a percepção de risco global e derrubou as principais bolsas do mundo.

Europa

As bolsas europeias caem hoje, seguindo o movimento da véspera, repercutindo a manutenção dos preços do petróleo acima de US$ 100 por barril, apesar da Agência Internacional de Energia ter anunciado na quarta-feira a liberação recorde de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência.

STOXX 600: -0,88%
DAX (Alemanha): -1,09%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,75%
CAC 40 (França): -1,18%
FTSE MIB (Itália): -1,07%

Estados Unidos

Os índices futuros de Nova York caem hoje e devem registrar perdas semanais. O S&P 500 caminha para uma queda de 1%, enquanto o Dow Jones se encaminha para um recuo de 1,7%. O Nasdaq acumula queda de 0,3% na semana.

Dow Jones Futuro: -0,48%
S&P 500 Futuro: -0,46%
Nasdaq Futuro: -0,57%

Ásia

Acompanhando o pessimismo global e o movimento de Wall Street na véspera, as bolsas asiáticas fecharam em baixa.

Shanghai SE (China), -0,82%
Nikkei (Japão): -1,16%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,98%
Nifty 50 (Índia): -2,04%
ASX 200 (Austrália): -0,14%

Petróleo

O petróleo Brent está sendo negociado acima de US$ 100 o barril, com os investidores se preparando para mais turbulências, já que o Irã prometeu manter o Estreito de Ormuz efetivamente fechado.

Petróleo WTI, +1,91%, a US$ 97,56 o barril
Petróleo Brent, +1,94%, a US$ 102,41 o barril

Agenda

Nos EUA, serão divulgados o índice PCE de janeiro, bens duráveis de janeiro, leitura do PIB do quarto trimestre, a confiança do consumidor de março e o relatório Jolts de janeiro.

Na zona do euro serão divulgados dados da produção industrial de janeiro.

Por aqui, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, dos Transportes, Renan Filho, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, participaram da cerimônia de anúncio de R$ 2,08 bilhões em investimentos nas rodovias, portos e aeroportos do Paraná. “Estamos assinando a primeira concessão de canal de acesso do Brasil”, disse Costa Filho. “Através das concessões do nosso país, do nosso canal de acesso, isso vai dar previsibilidade ao setor produtivo, vai dar planejamento estratégico ao porto de Paranaguá. Não precisa mais o presidente do porto ou o ministro de plantão estarem fazendo as dragagens anualmente.”

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.