MANIFESTO: Nenhuma mulher a menos

O feminicídio será vencido quando homens decidirem que não aceitarão mais a cultura que mata mulheres
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Há algo profundamente errado quando nascer mulher significa correr risco de morte.

No Brasil de hoje, ser mulher continua sendo um ato de coragem.

Avançamos pouco, morremos muito.

1.568 mulheres perderam suas vidas vítimas de feminicídio em 2025. São mais de quatro mortes por dia apenas por serem mulheres. O índice é o maior da última década.

Não estamos falando de estatística fria. Estamos falando de vidas arrancadas, histórias interrompidas, famílias devastadas.

Quatro por dia. Enquanto você lê esse texto, alguma mulher pode estar sendo morta.

E a tragédia não se encerra aí. Uma pessoa é estuprada no Brasil a cada 6 minutos.

São meninas, em sua maioria, com até 13 anos de idade. Mas também são adolescentes, jovens adultas, mães, irmãs, idosas. Corpos violados em silêncio, muitas vezes dentro de casa — o lugar que deveria ser abrigo.

A violência contra a mulher no Brasil não é exceção. É estrutura. Quase 37,5% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência só no último ano.

Isso significa que quase uma em cada três mulheres vive com medo.

Medo de andar na rua.
Medo de terminar um relacionamento.
Medo de denunciar.
Medo de voltar para casa.

Medo de ser morta no trabalho.

O feminicídio, na maioria das vezes, tem rosto conhecido.
Maridos. Namorados. Ex-companheiros. Homens que chamam posse de amor. Homens que matam os filhos para torturar a mãe. Homens que desfiguram o rosto de suas companheiras como marca de humilhação e submissão.

E essa lógica perversa começa cedo.

Começa quando meninas são tratadas como objeto.
Quando homens aprendem que desejo sobrepõe consentimento.
Quando o corpo feminino é tratado como território disponível.

Por isso o estupro coletivo de uma menina de 17 anos — violentada por quatro homens — não é um “caso isolado”.

É sintoma de uma cultura que ainda ensina que a mulher existe para servir.

O escândalo global envolvendo Jeffrey Epstein escancarou isso em escala internacional: mulheres e meninas tratadas como mercadoria sexual para homens poderosos.

Não é um desvio moral.
É uma engrenagem.

A mesma engrenagem que mata mulheres no Brasil todos os dias. A mesma engrenagem que pergunta o que ela vestia.
Por que ela estava ali?
Por que ela não saiu antes?

Mas raramente pergunta: por que ele matou?

Chega! É hora de mudar a pergunta. É hora de mudar o pacto!

Este manifesto não é apenas um grito das mulheres.
É um chamado para toda a sociedade — especialmente para os homens.

Porque o feminicídio não será vencido apenas com leis.

O feminicídio será vencido quando homens decidirem que não aceitarão mais a cultura que mata mulheres.

Quando amigos interromperem piadas violentas.
Quando pais educarem filhos para respeitar mulheres.
Quando colegas denunciarem agressores.
Quando silêncio deixar de ser cumplicidade.

Nós temos que fazer alguma coisa HOJE!

A luta é civilizatória.

Não é guerra entre homens e mulheres.
É enfretamento contra a barbárie.

Precisamos de um pacto nacional: Nenhuma mulher a menos.

Um pacto que diga:

não aceitaremos mais quatro mortes por dia.
não aceitaremos mais meninas violentadas.
não aceitaremos mais vítimas culpadas.

Porque toda mulher assassinada é uma derrota coletiva.

E toda mulher que sobrevive precisa saber que não está sozinha.

Este manifesto é um compromisso.

De falar.
De denunciar.
De proteger.
De educar.
De lutar.

Até que ser mulher deixe de ser um risco.

Até que a próxima geração de meninas possa crescer sem medo.

Até que a frase “morreu porque era mulher” desapareça do noticiário.

Até lá, não há silêncio possível.

Há apenas uma escolha: lutar.

Nenhuma mulher a menos.

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