O Ibovespa acompanhou a piora do humor dos mercados globais nesta sexta-feira (13), pressionado pela alta do petróleo, mudanças nas apostas para juros no Brasil e nos Estados Unidos e aumento das tensões geopolíticas. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,91%, aos 177.653,31 pontos, acumulando perda de 0,95% na semana.
No câmbio, o dólar à vista encerrou em R$ 5,3163, alta de 1,41% no dia e no maior patamar desde janeiro. Na semana, a moeda norte-americana avançou 1,38% frente ao real.
Os preços do petróleo chegaram a recuar no começo da sessão de hoje, mas mudaram de sinal, com o barril sob o contrato Brent encerrando o dia com acréscimo de 2,67%, a US$103,14.
No cenário doméstico, investidores repercutiram o pacote do governo para conter os preços dos combustíveis e o reajuste de 11,6% no diesel anunciado pela Petrobras. Analistas projetam que o reajuste anula o efeito de baixa esperado das medidas para conter a inflação.
O mercado também revisou as apostas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na próxima quarta-feira (18). O mercado majoritariamente aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Antes da escalada do conflito envolvendo o Irã, a expectativa predominante era de redução inicial de 0,50 ponto.
As ações da Petrobras também terminaram em queda, apesar do reajuste do diesel: PETR3 recuou 0,10%, enquanto PETR4 caiu 0,53%. Analistas avaliam que os preços domésticos ainda permanecem abaixo da paridade internacional.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), para alinhar totalmente o diesel às referências externas seria necessário um aumento adicional de R$ 2,34 por litro, após mais de 300 dias sem reajustes. Ainda assim, a expectativa do mercado é que a estatal não repasse integralmente a volatilidade externa ao consumidor, especialmente após medidas do governo que aliviam os custos da companhia e a adesão ao programa de subvenção ao diesel.
Mercado externo
Os índices de Wall Street ampliaram as perdas com a escalada das tensões no Oriente Médio e a divulgação de dados de inflação nos EUA. O índice PCE, principal indicador acompanhado pelo Federal Reserve, o banco central estadunidense, subiu 0,3% em janeiro e 2,8% em 12 meses, em linha com o esperado. Com isso, o mercado passou a apostar em cortes de juros apenas a partir de setembro, enquanto a manutenção das taxas na próxima reunião é praticamente certa.
O Dow Jones fechou o dia com baixa de 0,26%, aos 46.558,47 pontos; o S&P 500, -0,61%, aos 6.632,19 pontos; e o Nasdaq, -0,93%, aos 22.105,35 pontos.