Lideranças dos caminhoneiros se reuniram nesta quarta-feira (18), para discutir se as ações anunciadas pelo governo federal são suficientes para evitar uma paralisação nacional. Até o momento, a possibilidade de greve segue no radar da categoria.
O encontro foi confirmado por Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores, que representa motoristas autônomos. Segundo ele, a categoria ainda aguarda detalhes sobre como as medidas serão implementadas antes de tomar uma decisão.
Os representantes da categoria conversaram com a Casa Civil, quando o governo indicou a possibilidade de “travar” o custo mínimo do frete. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que haverá reforço na fiscalização do piso mínimo do frete. Empresas que descumprirem a regra poderão ser punidas com sanções mais severas, incluindo impedimento de atuação no transporte de cargas.
“O travamento eletrônico é um pedido nosso. A gente tem uma lei desde 2018, com gatilho do diesel, mas não tem fiscalização. Agora, o ministro falou que vai fazer isso. Vamos aguardar para ver como vai ser feito para direcionar a categoria”, afirmou ao ICL Notícias .
O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, Carlos Alberto Litti Dahmer, também afirmou ao ICL Notícias que a categoria aguarda a formalização das medidas prometidas pelo governo.
“O pessoal quer ver isso em medida provisória, quer ver escrito, quer ler as vírgulas e os pontos. Depois de tudo que já aconteceu, agora quer ver o preto no branco”, disse.
Segundo ele, há a expectativa de que o governo edite uma medida provisória com os pontos anunciados. A partir disso, lideranças devem se reunir novamente para avaliar se as medidas atendem às demandas e definir os próximos passos.
Reivindicações
Mesmo com essas iniciativas, os caminhoneiros mantêm uma lista mais ampla de reivindicações. Entre elas, está a isenção de pedágio para caminhões vazios em períodos de crise, medida que poderia ser aplicada com base na suspensão dos eixos dos veículos.
A categoria também cobra maior controle sobre os preços do diesel, com atuação de órgãos como a Agência Nacional do Petróleo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e o Ministério da Justiça, além da criação de um teto emergencial para o combustível.
O governo apresentou propostas para tentar reduzir o preço do diesel, principal ponto de pressão entre os caminhoneiros. Entre elas, está a iniciativa de zerar impostos federais sobre o combustível e discutir com os estados a redução do ICMS.
A estratégia inclui a compensação financeira aos estados que aceitarem abrir mão da arrecadação, com o objetivo de diminuir o impacto no preço final ao consumidor. A carga tributária é um dos componentes relevantes do valor do diesel, que vem sendo pressionado pela alta internacional do petróleo e por reajustes recentes no país.
Apesar disso, lideranças do setor avaliam que as medidas ainda precisam ser detalhadas e efetivamente implementadas para produzir efeito imediato sobre o custo do frete, principal preocupação da categoria.