A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e outras receitas alcançou R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (24) pela Receita Federal. O resultado representa crescimento real de 5,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação foi de R$ 210,2 bilhões (já corrigidos pela inflação).
O valor também é o maior já registrado para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 1995, indicando um desempenho robusto das receitas públicas no início do ano.
Aumento da contribuição previdenciária puxou arrecadação federal
De acordo com a Receita Federal, o recorde foi puxado principalmente pelo aumento da arrecadação da contribuição previdenciária, além do bom desempenho de tributos como PIS/Cofins, IRRF sobre capital e IOF, que teve aumento recente.
O crescimento da arrecadação está ligado tanto ao avanço da atividade econômica quanto às mudanças tributárias adotadas nos últimos anos, incluindo:
- taxação de fundos exclusivos e offshores;
- mudanças na tributação de incentivos fiscais estaduais;
- aumento de impostos sobre combustíveis;
- imposto sobre encomendas internacionais;
- reoneração gradual da folha de pagamentos;
- fim de benefícios do setor de eventos (Perse);
- taxação das apostas esportivas (bets);
- aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
- maior tributação dos juros sobre capital próprio.
No acumulado de janeiro e fevereiro, a arrecadação federal somou R$ 550,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação, um crescimento real de 4,41% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Assim como o resultado mensal, o número representa recorde histórico para o primeiro bimestre, reforçando a tendência de aumento da arrecadação em 2026.
Meta fiscal segue no radar
O aumento das receitas é visto pelo governo como peça importante para atingir a meta fiscal de 2026, que prevê um superávit de 0,25% do PIB (cerca de R$ 34,3 bilhões).
Pelas regras do arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância que permite considerar a meta cumprida mesmo com resultado próximo de zero ou com superávit maior. No entanto, despesas autorizadas fora do cálculo oficial podem levar, na prática, a um déficit estimado de cerca de R$ 23,3 bilhões.