Israel alega ter matado comandante que fechou o Estreito de Ormuz

Ataque mira chefe naval iraniano; EUA pressionam por negociação e elevam ameaças
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As Forças Armadas de Israel afirmaram ter eliminado, na noite de quarta-feira (25), o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri. Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, a operação de precisão atingiu o comandante e outros oficiais, possivelmente na região de Bandar Abbas, principal base da corporação no estratégico estreito de Ormuz.

A morte ainda não foi confirmada por Teerã, mas autoridades israelenses sustentam que suas informações de inteligência têm se mostrado confiáveis ao longo do conflito, que já dura quase um mês.

Tangsiri era apontado como o principal responsável pela estratégia iraniana no estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de energia. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pela região. Desde o início das hostilidades, forças iranianas passaram a restringir a circulação de navios ligados a países adversários, com ameaças de ataques, uso de minas marítimas e armamentos como drones subaquáticos, mísseis e aeronaves não tripuladas.

De acordo com relatos do conflito, ao menos 30 embarcações civis, incluindo petroleiros, foram atingidas. Em resposta, os EUA intensificaram ataques a posições iranianas e alegam ter destruído mais de 140 embarcações do país. Com mais de 90% do tráfego interrompido em Ormuz, os preços globais de energia dispararam, aumentando a pressão econômica sobre o presidente americano, Donald Trump.

Tangsiri, chefe que Israel alega ter matado, era apontado como o principal responsável pela estratégia iraniana no estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de energia (Foto: Giuseppe Cacace/ AFP)

Negociações

Enquanto o cenário militar se agrava, há movimentações diplomáticas em curso. Washington tenta abrir caminho para negociações, embora Teerã oscile entre negar contatos diretos e admitir trocas indiretas por meio de intermediários. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou nesta quinta-feira (26) que existe “um vislumbre de esperança” para a paz.

O Paquistão tem atuado como mediador nas conversas, apesar de tensões recentes com o Irã. Segundo relatos, os EUA pediram a Israel que evitasse atingir figuras-chave envolvidas nas negociações, como o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf.

Araghchi liderou rodadas anteriores de diálogo sobre o programa nuclear iraniano, interrompidas pela guerra. Já Ghalibaf, apesar do discurso duro contra Washington e Tel Aviv, é visto como potencial articulador de um acordo futuro, especialmente após a morte de lideranças centrais do regime, como Ali Khamenei e Ali Larijani em ataques israelenses.

No comando atual, há incertezas sobre a situação de Mojtaba Khamenei, apontado como novo líder, mas que não apareceu publicamente desde o início dos confrontos.

Impasse

Apesar dos sinais diplomáticos, o impasse persiste. Araghchi confirmou ter recebido uma proposta americana para encerrar a guerra, mas indicou que os termos ainda não são aceitáveis para Teerã.

No fim de semana, Trump chegou a emitir um ultimato exigindo a reabertura do estreito de Ormuz, sob ameaça de bombardear infraestruturas energéticas iranianas. Após reação do Irã, o prazo foi estendido até sábado (28). Nesta quinta, o presidente voltou a subir o tom em publicação nas redes sociais, criticando negociadores iranianos e alertando para consequências “sem volta”.

Paralelamente, os EUA ampliam sua presença militar na região. Um primeiro contingente de 2.500 fuzileiros navais deve chegar nesta sexta-feira (27), com reforços adicionais previstos, incluindo até 2.000 paraquedistas de elite. Entre as possibilidades analisadas estão ataques à ilha de Kharg — responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã — ou operações na costa de Ormuz, ambas consideradas de alto risco.

Segundo o comandante das forças americanas na região, o almirante Brad Cooper, cerca de dois terços da capacidade de produção de mísseis do Irã já foram destruídos, mas a ofensiva ainda está longe do fim.

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