O Ibovespa encerrou a semana em alta de 3,03%, apesar da queda de 0,64% nesta sexta-feira (27), aos 181.556 pontos. O movimento reflete um mercado que tenta se estabilizar após um mês marcado por forte incerteza devido à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, mas ainda sem direção clara.
No câmbio, o real apresentou valorização de 0,28% frente ao dólar, a R$ 5,24, embora a trajetória da moeda norte-americana siga volátil. O mesmo padrão se repete nos juros futuros, que continuam oscilando diante da ausência de consenso sobre o cenário econômico.
No exterior, o ambiente permanece adverso. As bolsas de Estados Unidos acumulam quedas recentes, enquanto na Europa cresce o temor de estagflação (baixo crescimento econômico e alto desemprego com inflação crescente). O principal vetor de pressão segue sendo o petróleo, com o Brent acima de US$ 110, sustentado por expectativas de um conflito prolongado no Oriente Médio e riscos à oferta global.
Indicadores recentes reforçam o quadro inflacionário. O Índice Mundial de Contêineres avançou pela quarta semana consecutiva, impulsionado por fretes mais caros entre Ásia, Europa e rotas transpacíficas. Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor recuou em março ao menor nível em três meses.
No Brasil, o cenário relativo é mais benigno. Apesar da inflação ainda elevada, o país segue entre as poucas grandes economias em ciclo de afrouxamento monetário, com a taxa básica em 14,75% ao ano após corte recente. O mercado de trabalho continua resiliente, ainda que com leve alta na taxa de desemprego no trimestre até fevereiro.
Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego no Brasil voltou a crescer no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, alcançando 5,8%, devido a fatores sazonais. Por outro lado, a renda bateu recorde no período, ajudando a suavizar o cenário.
Na Bolsa, o destaque permanece concentrado em empresas ligadas a commodities. A Petrobras avançou 2,89% no dia e acumula forte valorização no mês, acompanhando o petróleo. Já a Vale fechou próxima da estabilidade, enquanto o setor bancário liderou as perdas da sessão, pressionando o índice.
Mercado externo
Os indicadores de Wall Street desabaram na sexta-feira e também encerraram a semana no campo negativo. Por lá, os investidores repercutem os impactos negativos da guerra sobre os indicadores econômicos bem como as consequências do fechamento do Estreito de Ormuz, o que tem impedido e encarecido o fluxo comercial.
O Dow Jones caiu 1,72% no dia e -0,90% na semana; o S&P 500, -1,67% e -2,19%, respectivamente; e o Nasdaq perdeu -2,15% na sexta e -3,23% no acumulado da semana.