Grupo de 40 países se une para pressionar por ‘reabertura imediata’ de Ormuz

Ministra das Relações Exteriores britânica acusou Teerã de tentar manter 'economia global como refém'
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A escalada no preço da energia e os impactos diretos sobre a economia global levaram cerca de 40 países a somar forças em uma tentativa de levar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Ao fim da reunião virtual organizada pelo Reino Unido, os países pediram a “reabertura imediata e incondicional” da via marítima.

A articulação internacional esteve sob liderança da ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, que acusou Teerã de tentar manter a “economia global como refém”. Segundo ela, o bloqueio já impacta famílias ao redor do mundo, pressionando os preços de combustíveis e energia.

“O Irã está tentando tomar a economia mundial como refém no Estreito de Ormuz. Não devem prevalecer”, afirmou Cooper, acrescentando que os países discutem a adoção de medidas econômicas e políticas, incluindo sanções.

O encontro reuniu potências como França, Alemanha e Índia, além de países como Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos. Parte dos participantes defendeu a criação de um “corredor humanitário” para garantir o transporte de insumos essenciais, como fertilizantes, a fim de evitar uma nova crise alimentar, especificamente em países africanos.

Apesar de não terem fechado um acordo concreto, houve consenso de que o Irã não deve impor restrições ao tráfego internacional. Também foi reforçada a necessidade de garantir acesso livre à rota marítima, responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

Uma nova rodada de discussões, desta vez com planejadores militares, está prevista para a próxima semana. A expectativa é avançar em medidas de segurança, incluindo a remoção de minas marítimas e a proteção da navegação, com o objetivo de reduzir os custos de seguro e restabelecer a confiança no transporte pela região.

O bloqueio do estreito foi adotado pelo Irã como resposta a ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, que, segundo China, são a “principal causa” da crise. Nesta semana, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a passagem permanecerá fechada aos “inimigos” do país, em represália às falas do presidente dos EUA, Donald Trump.

Conflito crescente

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a instabilidade da rota provocou forte alta nos preços do petróleo, um dos principais insumos energéticos do mundo. Com o barril chegando a 100 dólares, os impactos econômicos globais da guerra também escalaram.

Trump vem persuadindo aliados a assumirem a responsabilidade pela segurança da região. “Os países que recebem petróleo através de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, afirmou, condicionando um eventual cessar-fogo à liberação do estreito.

A proposta de uma ação direta, no entanto, enfrenta resistência. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a ideia de tomar o estreito à força como “irrealista e arriscada”. Autoridades francesas avaliam que qualquer operação só poderá ocorrer após a redução dos bombardeios na região.

O impasse também chegou ao Conselho de Segurança da ONU, onde um projeto de resolução que autorizaria o uso da força divide os países com poder de veto, como Rússia, China e França.

Sem consenso diplomático ou militar, a crise no Estreito de Ormuz continua pressionando mercados e elevando o risco de novos desdobramentos geopolíticos.

* Com informações da AFP

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