Publicada originalmente às 9h22*
O presidente Donald Trump usou as redes sociais uma vez mais para ameaçar o Irã e pressionar por um acordo com Teerã, antes do final do dia.
O ultimato havia sido estabelecido para 20h de Washington, desta terça-feira. Caso não haja um entendimento, o presidente dos EUA havia alertado inicialmente que atacaria usinas de energia e pontes iranianas. Mas, desta vez, ele transformou sua ameaça num alerta que deixou diplomatas e negociadores em choque.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, disse Trump, em uma publicação em sua plataforma Truth Social.
“Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”, continuou.
“QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, completou o republicano.
O alerta de Trump ocorre num momento em que negociadores paquistaneses confirmam a existência de uma troca de propostas entre americanos e iranianos.
Do lado de Teerã, a exigência é de que um acordo de paz represente um compromisso por parte dos EUA e de Israel de que novos ataques não irão ocorrer. Além disso, querem a aplicação de uma espécie de pedágio de US$ 2 milhões para cada barco que cruzar o Estreito de Ormuz. O dinheiro seria usado para reconstruir o Irã após um mês de bombardeios.
Mesmo com a troca de ofertas, as autoridades dos EUA confirmaram que a ilha de Kharg, onde fica uma importante parte da infraestrutura de petróleo do Irã, foi alvo de mísseis americanos nesta terça-feira.
ONU diz que declaração é “repugnante”
A ameaça de Trump foi duramente criticada pela ONU, que citou crimes de guerra. Numa declaração, o chefe das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou:
Repudio veementemente a torrente de retórica incendiária utilizada por todas as partes envolvidas na guerra do Oriente Médio nas últimas semanas, incluindo as recentes ameaças de aniquilar toda uma civilização e de atacar infraestruturas civis. Isso é repugnante. Levar adiante tais ameaças configura os mais graves crimes internacionais.
Ameaças que espalham medo e terror entre civis são inaceitáveis e devem cessar imediatamente.
De acordo com o direito internacional, atacar deliberadamente civis e infraestruturas civis é um crime de guerra. Qualquer pessoa responsável por crimes internacionais deve ser responsabilizada por um tribunal competente.
Apelo à comunidade internacional para que tome medidas urgentes para reduzir a tensão e ajudar a proteger a vida de todos os civis.
Resposta iraniana
Horas depois, foi a vez de Teerã usar as redes sociais para dar uma resposta desafiadora ao presidente dos EUA. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou:
O poder da cultura, da lógica e da fé de uma nação ‘CIVILIZADA’ em sua causa justa certamente prevalecerá sobre a lógica da força bruta. Uma nação que tem plena fé na retidão de seu caminho utilizará todas as suas capacidades e recursos para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos.
Ataques para além da região
Sem um acordo por enquanto, a Guarda Revolucionária também alerta que se os EUA “cruzarem linhas vermelhas”, os iranianos estão dispostos a ir além.
“Faremos com a infraestrutura dos Estados Unidos e seus parceiros o que os privará, a eles e seus aliados, do petróleo e gás da região por muitos anos”, diz a declaração dos iranianos.
“Os líderes americanos não têm capacidade de calcular os ativos críticos que estariam ao alcance de nossos combatentes caso atacassem nossa infraestrutura”, acrescenta. “Nossa resposta irá além da região se os militares dos EUA cruzarem nossas linhas vermelhas.”
Matéria em atualização