Anac estuda estender horário de Congonhas após paralisação do controle aéreo

Evacuação de centro de monitoramento aéreo durou cerca de uma hora e gerou acúmulo de aeronaves
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Por Bárbara Sá

(Folhapress) — A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) estuda ampliar o horário de funcionamento do Aeroporto de Congonhas após a paralisação do controle aéreo que afetou voos em São Paulo nesta quinta-feira (9).

A interrupção ocorreu após a evacuação de um prédio onde funciona um setor do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), da FAB (Força Aérea Brasileira), responsável por gerenciar o tráfego aéreo, chamado Área de Controle Terminal, ou TMA.

A estrutura reúne o controle de voos de aeroportos como Congonhas, na zona sul da capital paulista, o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo.

Nesse centro, controladores de voo organizam os pousos e decolagens na região. Com a evacuação, eles deixaram suas posições, o que levou à interrupção das operações, segundo explicou o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Feierstein.

“Notadamente os controladores de voo tiveram que sair das suas estações de trabalho, então alguns movimentos de pouso e decolagem foram comprometidos, foram parados em todo o Terminal São Paulo [TMA-SP]”, declarou. Tanto ele quanto Santiago Yus, presidente da concessionária Aena, responsável por Congonhas, afirmam não saber a causa da evacuação, uma vez que a área onde ocorreu o problema técnico é de responsabilidade do Decea.

Aeroporto de Congonhas lotado devido ao cancelamento de voos
Aeroporto de Congonhas lotado devido ao cancelamento de voos. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Segundo a Força Aérea, a razão do problema técnico está sendo apurada, e hipóteses como incêndio ou vazamento de gás, que circularam no momento da ocorrência, não foram confirmadas.

A Anac diz acompanhar os reflexos da interrupção e avaliar medidas para reduzir atrasos. “Podemos estender o horário e outras medidas que podemos estudar ao longo do dia”, disse Feierstein. A operação comercial do aeroporto para pousos e decolagens funciona diariamente das 6h às 23h.

“A expectativa é de normalização gradual das operações ao longo do dia, à medida que os voos atrasados forem reorganizados”, apontou Feierstein.

A paralisação durou cerca de uma hora. Nesse período, aeronaves ficaram em solo e outras aguardaram autorização para pouso, o que gerou acúmulo de voos. Com a liberação do prédio, os profissionais retornaram e a retomada começou de forma gradual.

“Ficaram muitas aeronaves em solo, muitas aeronaves esperando para pousar, e demora um tempo até que os controladores reorganizem esse fluxo de pousos e decolagens”, disse o gerente de operações da Aena, Tiago Dantas.

Para Santiago Yus, a resposta das autoridades foi rápida. “Ativar um plano de emergência, fazer uma evacuação e retomar a operação em cerca de uma hora é muito rápido”, declarou.

Fumaça em prédio provocou interrupção

A paralisação por mais de 30 minutos dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Viracopos ocorrida na manhã desta quinta-feira (9) não foi causada por nenhuma pane em sistema de controle aéreo, mas sim por uma suspeita de incêndio ocorrida no prédio do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), da FAB.

A informação foi confirmada à Folha pelo presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Faierstein. “Não houve nenhuma pane, isso não é verdade. O que ocorreu é que apareceu uma fumaça em uma área do prédio do Decea e, por precaução e orientação, até que o Corpo de Bombeiros chegasse, os funcionários foram orientados a deixar o prédio”, afirmou.

Segundo Faierstein, nenhum funcionário se feriu, nem há registro de que o fogo tenha danificado equipamentos. “Foi apenas uma ação de precaução e de segurança, que acabou levando a essa paralisação momentânea”, disse.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, declarou que teria havido um princípio de vazamento de gás na torre militar.

As estimativas iniciais da Anac são de que cerca de 8.000 passageiros tenham sido afetados pela interrupção ocorrida oficialmente das 9h30 às 10h06 (horário de Brasília). Apesar do tempo curto de paralisação, os atrasos se estendem por horas, e os próprios aeroportos apontam um período de quase uma hora de paralisação.

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