O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tem adotado uma postura cautelosa diante da crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB). A instituição se recusa, por ora, a conceder novos empréstimos ao banco público até que haja total transparência sobre as perdas acumuladas e a real necessidade de capital para sua sobrevivência, segundo informou a agência Bloomberg.
De acordo com as informações, o BRB teria solicitado ao menos R$ 4 bilhões ao FGC, dentro de uma necessidade total estimada em R$ 8,8 bilhões para reforçar seu caixa. No entanto, a preocupação do fundo é que o rombo financeiro possa ser maior do que o inicialmente divulgado, especialmente devido às operações envolvendo o Banco Master.
A hesitação do FGC está ligada ao risco de que uma eventual liquidação do BRB gere prejuízos ainda mais elevados ao próprio fundo, que é responsável por garantir depósitos de clientes em caso de quebra de instituições financeiras.
O cenário se torna ainda mais delicado porque o BRB não divulgou seu balanço do segundo trimestre do ano passado, enquanto investigações independentes seguem revelando possíveis inconsistências nas transações com o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
Antes do colapso do Banco Master, o BRB adquiriu cerca de R$ 22 bilhões em ativos da instituição, incluindo imóveis, cemitérios e restaurantes. Autoridades indicam que aproximadamente R$ 13 bilhões desse montante estariam associados a operações de crédito consideradas fraudulentas.
O BRB afirma ter conseguido substituir ou liquidar mais de R$ 10 bilhões desses ativos, mas ainda enfrenta forte pressão financeira para cobrir a lacuna restante.
BRB busca por soluções no mercado
Para tentar equilibrar as contas, o banco vem adotando diversas estratégias. Entre elas, a venda de carteiras de crédito consideradas de boa qualidade para grandes instituições financeiras e a tentativa de realizar um aumento de capital, cuja votação está marcada para 22 de abril.
Além disso, o governo do Distrito Federal — controlador do BRB — informou recentemente que recebeu uma proposta de até R$ 15 bilhões por parte de um fundo de investimento interessado em adquirir ativos herdados do Banco Master. A operação prevê um pagamento inicial de R$ 4 bilhões, com o restante vinculado ao desempenho desses ativos.
O negócio ainda depende de análise do Banco Central do Brasil.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também busca alternativas junto a outras instituições financeiras para reforçar o caixa do banco. O BRB é considerado estratégico para a economia local, administrando, por exemplo, mais de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais.
Em meio às incertezas, a agência S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito do BRB em março, citando dúvidas sobre a capacidade do governo local de capitalizar o banco sem comprometer recursos públicos.
A classificação segue em observação negativa, refletindo as incertezas sobre o impacto das investigações na reputação e na saúde financeira da instituição.