A oferta mundial de petróleo registrou, em março, a maior queda mensal já documentada, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). O fornecimento caiu 10,1 milhões de barris por dia, atingindo 97 milhões de barris diários, em meio à intensificação de conflitos no Oriente Médio que desorganizaram o mercado global de energia.
Apesar do choque de oferta, os preços do petróleo operam em queda nesta terça-feira (14), após se aproximarem da marca de US$ 100 nas primeiras horas de negociação.
O barril do tipo Brent crude oil, referência internacional, chegou a US$ 99,41 durante a madrugada, mas passou a oscilar entre US$ 97 e US$ 99 ao longo da manhã. Por volta das 10h, o contrato para junho era negociado a US$ 97,67, recuo de 1,70% em relação ao fechamento anterior.
Na véspera, o Brent chegou a ultrapassar US$ 100, encerrando o dia cotado a US$ 98.
Já o West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos, chegou a cair mais de 3%, atingindo US$ 95,25. Às 10h, o contrato para maio era negociado a US$ 96,14, queda de 2,97%.
Conflito no Oriente Médio pressiona oferta
De acordo com a AIE, a retração histórica na oferta está diretamente ligada à escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito se expandiu pela região, responsável por uma parcela significativa da produção global de petróleo.
A instabilidade levou à interrupção de cadeias produtivas e à redução expressiva da capacidade de refino e exportação.
Produção e projeções em queda
Para abril, a expectativa é de que as refinarias globais produzam cerca de 6 milhões de barris por dia a menos em relação a março, levando a oferta mundial a 77,2 milhões de barris diários. A contração é puxada principalmente por cortes na Ásia e no Oriente Médio.
A AIE também revisou para baixo suas projeções de oferta. A estimativa é de que o fornecimento global atinja 82,9 milhões de barris diários em 2026 — redução de 1 milhão de barris por dia em relação às previsões anteriores.
Demanda também desacelera
O impacto do conflito não se limita à oferta. A demanda global por petróleo também deve cair, com previsão de retração de 80 mil barris por dia neste ano.
No segundo trimestre de 2026, a queda estimada é de 1,5 milhão de barris diários — a mais intensa desde a crise provocada pela Covid-19, que derrubou o consumo de combustíveis em escala mundial.
As regiões mais afetadas são o Oriente Médio e a Ásia-Pacífico, com destaque para a redução no consumo de derivados como nafta, GLP (gás de cozinha) e combustível de aviação.
Efeitos sobre indústria e consumidores
Segundo a AIE, a combinação de oferta restrita e estoques insuficientes já afeta cadeias produtivas e consumidores. Empresas petroquímicas na Ásia reduziram suas operações diante da escassez de insumos, enquanto famílias e empresas enfrentam dificuldades no acesso ao GLP.
Além disso, cancelamentos de voos em diversas regiões, incluindo Oriente Médio, partes da Ásia e da Europa, contribuíram para a queda no consumo de combustível de aviação.
Diante da conjuntura, a AIE alerta que, em um cenário de prolongamento do conflito, os impactos podem se intensificar significativamente.
“No pior cenário, os mercados de energia e as economias ao redor do mundo terão que se preparar para perturbações mais severas nos próximos meses”, destaca o relatório.