FMI reduz projeção para economia global após guerra, mas eleva expectativa para o Brasil

FMI aponta que o Brasil pode se beneficiar do cenário internacional por ser exportador líquido de energia
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para a economia global em meio aos impactos da guerra no Irã. De acordo com o relatório World Economic Outlook, divulgado nesta terça-feira, a expectativa de crescimento mundial para 2026 caiu de 3,3% para 3,1%.

Por outro lado, o Brasil teve sua previsão ajustada para cima: a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 1,9%.

Segundo o FMI, o cenário internacional vinha mostrando sinais positivos antes do agravamento do conflito no Oriente Médio. “A guerra interrompeu uma trajetória de crescimento que vinha sendo consistente”, destaca o relatório.

Até então, havia expectativa de revisão para cima no crescimento global, impulsionada por fatores como o avanço dos investimentos em tecnologia, redução de tensões comerciais, estímulos fiscais em alguns países e condições financeiras mais favoráveis. No entanto, a guerra passou a pressionar esse cenário.

O FMI pondera que a desaceleração não foi ainda mais intensa porque há uma expectativa de que o conflito seja relativamente curto. Além disso, políticas adotadas por diferentes países — como subsídios e medidas para conter o preço de combustíveis — ajudam a suavizar os impactos.

Ainda assim, o relatório alerta para riscos relevantes caso a guerra se prolongue ou afete de forma mais duradoura a produção e o transporte de energia.

Para ilustrar esses riscos, o Fundo traçou dois cenários negativos:

  • Cenário adverso: choque temporário, com petróleo próximo de US$ 100 por barril, inflação mais alta e crescimento global desacelerando para cerca de 2,5% em 2026.
  • Cenário severo: impacto mais duradouro, com forte alta de energia, inflação persistente e crescimento global próximo de 2%, patamar associado a uma quase recessão.

Apesar dos impactos da guerra, Brasil se destaca entre revisões positivas

Entre as maiores economias do mundo, o Brasil aparece como um dos países com revisão mais favorável nas projeções, ao lado da Rússia. Ainda assim, o ritmo de crescimento brasileiro segue abaixo de outros emergentes, como Índia e China, que devem avançar 6,5% e 4,4%, respectivamente.

O FMI aponta que, no curto prazo, o país pode se beneficiar do cenário internacional por ser exportador líquido de energia. Mesmo assim, deve crescer menos do que grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Nigéria.

Para 2027, o Fundo está mais cauteloso com o Brasil. A projeção de crescimento é de 2%, levemente acima de 2026, mas inferior às estimativas anteriores. No cenário global, a expectativa foi mantida em 3,2%.

Entre os fatores que devem limitar o desempenho brasileiro estão a desaceleração da demanda internacional, custos mais altos de insumos — como fertilizantes — e condições financeiras mais restritivas.

Apesar dos desafios, o FMI destaca alguns fatores que podem ajudar o país a enfrentar o cenário externo adverso. Entre eles estão o nível adequado de reservas internacionais, a baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, a disponibilidade de caixa do governo e o regime de câmbio flexível.

Esse conjunto de elementos tende a funcionar como uma proteção importante diante das incertezas no cenário global.

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