Ibovespa interrompe sequência de altas em meio a ruídos geopolíticos; dólar fica abaixo de R$ 5

Após 11 pregões positivos, índice recua com cautela global e avanço da inflação no Brasil
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O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (15) em queda de 0,46%, aos 197.737 pontos, interrompendo uma sequência de 11 altas consecutivas. O movimento refletiu a combinação de incertezas externas e dados domésticos mais pressionados, afastando o índice da marca histórica de 15 pregões seguidos de valorização, registrada entre outubro e novembro de 2025.

No câmbio, o dólar comercial teve leve recuo de 0,03%, a R$ 4,99, após oscilações ao longo do dia. Já os juros futuros encerraram sem direção única, mantendo o padrão recente de volatilidade.

O cenário internacional segue como principal vetor de cautela. As tensões envolvendo Irã e Estados Unidos, além dos conflitos paralelos no Oriente Médio, continuam adicionando incerteza aos mercados, especialmente diante de informações desencontradas. Sinais de possível extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã trouxeram algum alívio, embora sem confirmação formal por parte de Washington.

No Brasil, a inflação voltou ao centro das atenções. O IGP-10 avançou 2,94% em abril, revertendo a queda de março e indicando pressão disseminada nos preços, com alta em todos os seus componentes. O dado reforça preocupações sobre o impacto no consumo e no ambiente político, em meio à deterioração recente da avaliação do governo, segundo pesquisas de opinião.

Indicadores de atividade também trouxeram leitura moderada: tanto o setor de serviços quanto o varejo apresentaram crescimento, mas abaixo das expectativas do mercado.

Apesar do ambiente mais desafiador, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que o Brasil segue relativamente bem posicionado para enfrentar a turbulência global, embora ressalte riscos fiscais. Projeções mais recentes indicam melhora nas expectativas para o déficit e a dívida pública nos próximos anos.

Ações do dia

Entre os destaques negativos, Petrobras recuou 2,07%, descolada da estabilidade do petróleo no exterior. Entre as petroleiras independentes, PRIO caiu 2,90% e PetroRecôncavo cedeu 1,17%, enquanto Brava avançou 0,38%.

Vale teve leve alta de 0,16%, acompanhando a valorização do minério de ferro. No setor bancário, o desempenho foi misto, com quedas de Banco do Brasil e Santander, enquanto Bradesco e Itaú Unibanco registraram ganhos moderados.

No campo corporativo, Hapvida caiu 3,07%, em meio a avaliações cautelosas sobre sua recuperação. Já Caixa Seguridade e BB Seguridade recuaram após revisões negativas de recomendação por analistas.

Mercado externo

Wall Street viu seus principais índices fecharem mistos, com o Dow Jones no vermelho e o S&P 500 renovando a máxima histórica, acima dos 7 mil pontos. O ouro, por sua vez, ficou quase estável, com leve queda, e o petróleo subiu pouco acima do zero.

O Dow Jones caiu 0,15%, aos 48.463,72 pontos; o S&P 500, +0,80%, aos 7.022,95 pontos; e o Nasdaq, +1,60%, aos 24.016,02 pontos.

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