A decisão de ampliar o capital do Banco de Brasília (BRB) em até R$ 8,8 bilhões deve trazer impacto direto para as finanças do Governo do Distrito Federal (GDF), que é o principal acionista da instituição. Com cerca de 53% de participação, o governo local precisará aportar ao menos R$ 4 bilhões para manter sua fatia e evitar diluição.
A medida foi aprovada em assembleia de acionistas realizada na quarta-feira (22) e integra um esforço do banco para reforçar sua estrutura financeira. O movimento ocorre após o balanço do BRB sofrer abalos em função de operações consideradas problemáticas envolvendo ativos herdados do Banco Master.
O cenário atual do BRB tem origem na aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Essas operações comprometeram indicadores importantes exigidos pelo sistema financeiro, como o capital mínimo prudencial, levando o Banco Central a intensificar a supervisão sobre o banco. Além disso, a tentativa de aquisição do próprio Banco Master pelo BRB acabou sendo barrada pelo órgão regulador.
Diante das dificuldades, o banco passou a buscar alternativas para reduzir o impacto desses ativos e reequilibrar suas contas.
Estratégia para aliviar o balanço
Uma das saídas encontradas foi a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital. O objetivo é estruturar um fundo de investimento que absorva os ativos problemáticos ligados ao Banco Master.
O valor estimado da operação pode chegar a R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista, enquanto o restante será convertido em cotas subordinadas do fundo, que ficará responsável por administrar e tentar recuperar esses ativos ao longo do tempo.
Apesar dessa iniciativa, o aumento de capital foi mantido como parte essencial da estratégia para recompor a base financeira do BRB e atender às exigências regulatórias.
Mudanças na governança e reação do governo
A assembleia também tratou de temas de governança, como a formalização de nomes para o conselho de administração, incluindo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza.
Do lado do governo, a avaliação é de que as medidas adotadas demonstram responsabilidade diante da crise enfrentada pela instituição. Ainda assim, o episódio levanta questionamentos sobre os riscos assumidos pelo banco e o impacto dessas decisões nas contas públicas do Distrito Federal.