Endividamento recorde: Famílias comprometeram 29,7% da renda com dívidas em fevereiro

Governo Lula acelera os preparativos para lançar o chamado Desenrola 2.0
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O peso das dívidas no bolso dos brasileiros voltou a crescer e atingiu um novo recorde. Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil mostram que o comprometimento da renda das famílias com pagamentos de dívidas subiu de 29,5% em janeiro para 29,7% em fevereiro — o maior nível desde o início da série histórica, em 2011.

Mesmo ao excluir os financiamentos imobiliários, o indicador também avançou, passando de 27,2% para 27,4%, reforçando a tendência de pressão sobre o orçamento doméstico.

Outro indicador relevante, que mede o total de dívidas em relação à renda, também renovou seu pico histórico. Em fevereiro, o índice passou de 49,8% para 49,9%. Sem considerar o crédito imobiliário, houve alta de 31,3% para 31,4%.

O cenário indica que, apesar de sinais positivos na economia, muitas famílias seguem com grande parte da renda comprometida com débitos.

Governo prepara nova rodada do Desenrola para renegociação de dívidas

Diante desse quadro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acelera os preparativos para lançar o chamado “Desenrola 2.0”, uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas criado em 2023.

A proposta é permitir que consumidores troquem dívidas com juros elevados — como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — por linhas mais baratas, com taxas possivelmente limitadas a cerca de 1,99% ao mês.

Mesmo com pequenas oscilações recentes, os juros dessas modalidades continuam altos:

  • Rotativo do cartão: acima de 400% ao ano
  • Parcelado no cartão: próximo de 190% ao ano
  • Cheque especial: ainda perto do teto regulatório
  • Crédito pessoal sem garantia: acima de 100% ao ano

Essas linhas estão entre as mais caras do mercado e ajudam a explicar o aumento do endividamento.

A nova versão do Desenrola deve focar em pessoas com renda de até cinco salários mínimos e que estejam inadimplentes. Entre os pontos em discussão estão:

  • Possibilidade de descontos elevados para dívidas antigas
  • Uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para reduzir riscos aos bancos
  • Definição do prazo de atraso das dívidas elegíveis

Além disso, o governo avalia mecanismos para evitar que os beneficiários voltem a se endividar rapidamente, como restrições temporárias a apostas online e regras mais rígidas para “limpar o nome”.

Crédito cresce, mas com sinais mistos

As concessões de crédito livre — aquelas com condições definidas pelos bancos — avançaram em março, tanto na comparação mensal quanto anual. Modalidades como cheque especial, crédito pessoal e uso do cartão registraram aumento.

No entanto, ao considerar os ajustes sazonais, houve leve recuo no volume total de crédito, enquanto as operações com pessoas físicas apresentaram pequena alta.

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