Milei volta a atacar Lula e chama presidente brasileiro de ‘ladrão’ e ‘corrupto’

As novas declarações ocorrem poucos dias após outro episódio de tensão entre os dois governos
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida neste domingo (2) ao canal argentino LN+, o chefe de Estado reiterou acusações contra o petista, classificando-o como “ladrão” e “corrupto”, além de afirmar que ele “não é inocente”.

Durante a conversa, Milei voltou a mencionar os processos envolvendo Lula na Operação Lava Jato e contestou as decisões que anularam as condenações do presidente brasileiro.

“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, declarou o presidente argentino.

As novas declarações ocorrem poucos dias após outro episódio de tensão entre os dois governos. Na semana anterior, durante participação em um ato político em São Paulo em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Milei já havia se referido a Lula como “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.

Governo brasileiro reage

As declarações provocaram uma reação imediata do governo federal. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar oficialmente o descontentamento com as falas do presidente argentino. Paralelamente, o Itamaraty chamou de volta para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.

Em comunicado, o governo classificou o episódio como “sem precedentes”. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Brasília considera a situação grave, mas informou que, por enquanto, não pretende adotar medidas diplomáticas mais severas, como a retirada de representantes dos dois países.

Lula endureceu o discurso

Nos primeiros dias da crise, Lula evitou responder diretamente aos ataques. Ao ser questionado sobre Milei por jornalistas, limitou-se a perguntar, em tom de ironia: “Quem é esse cara?”.

Posteriormente, porém, o presidente passou a adotar um discurso mais incisivo. Ao comentar a presença de Milei no evento promovido pelo Partido Liberal, em São Paulo, classificou a participação do argentino como uma “patacoada”. Em outro compromisso público, promovido pelo PSB, também afirmou que não aceitará interferências estrangeiras na política brasileira.

“Vocês viram aqui a papaguada [sic] que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. E não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio eu demonstro amor”.

Presidente argentino mantém tom das críticas
Na entrevista deste domingo, Milei afirmou que não considera ofensivas as declarações dirigidas ao presidente brasileiro e justificou o uso dos termos.

“Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, disse.

O mandatário argentino também afirmou que os ataques a Lula não foram planejados, mas fruto de uma reação espontânea.

“Foram palavras espontâneas”, declarou..

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail