PF revela software para monitorar reputação de Vorcaro nas redes

Decisão do STF cita núcleo hacker, monitoramento digital, compra de domínios e tentativa de retirada de equipamentos após avanço da Operação Compliance Zero
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Por Cleber Lourenço

A decisão do STF que autorizou novas prisões na Operação Compliance Zero revela que a estrutura digital investigada pela Polícia Federal no entorno de Daniel Vorcaro atuava de forma organizada no monitoramento da presença online do banqueiro e na sustentação de operações digitais ligadas ao caso Master.

A decisão indica Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos como vinculados ao núcleo tecnológico conhecido como “Os Meninos”, apontado pela PF como braço digital da organização investigada.

Segundo a investigação, Victor atuava diretamente ao lado de David Henrique Alves, descrito como liderança operacional do núcleo hacker.

Entre os principais pontos citados pela decisão está o desenvolvimento de ferramentas voltadas ao monitoramento da reputação online de Daniel Vorcaro. Segundo o documento, o grupo mantinha software utilizado para acompanhar menções ao banqueiro em redes sociais, plataformas digitais e ambientes online.

“A dinâmica identificada revela atuação coordenada e especializada na manutenção de ferramentas e infraestrutura digital voltadas aos interesses do núcleo investigado”, afirma a decisão.

O documento também menciona aquisição de domínios na internet e manutenção de infraestrutura digital ligada às atividades do grupo. Segundo a PF, Rodrigo Pimenta atuava justamente na sustentação técnica da estrutura, auxiliando em tarefas relacionadas à compra de domínios e manutenção operacional do núcleo digital.

Outro trecho considerado relevante pela investigação envolve a tentativa de retirada de equipamentos eletrônicos ligados ao núcleo hacker logo após o avanço da Operação Compliance Zero.

Segundo a decisão, David Henrique Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal conduzindo veículo de Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, transportando notebooks, computadores, caixas e malas poucos dias após a operação.

A investigação afirma que Victor Lima também participou da remoção de equipamentos da residência de David Henrique Alves. A PF trata o episódio como possível tentativa de ocultação, destruição ou retirada de provas digitais relacionadas ao núcleo investigado.

“A circunstância de o investigado ter sido abordado transportando equipamentos eletrônicos e diversos volumes logo após a deflagração da operação reforça a necessidade da medida extrema”, afirma a decisão.

O documento também menciona suspeita de utilização de documento falso vinculado ao grupo.

A descrição da estrutura digital feita pela PF se soma ao avanço das investigações sobre o chamado “Projeto DV”, iniciativa investigada pela Polícia Federal por suposta contratação de influenciadores digitais e páginas de redes sociais para defender Daniel Vorcaro durante a crise envolvendo o Banco Master.

Nesta semana, a PF ouviu o empresário Thiago Miranda, apontado pela investigação como responsável por operacionalizar o projeto.

Segundo depoimentos prestados à Polícia Federal, o grupo buscava contratar influenciadores, páginas e perfis digitais para impulsionar conteúdos favoráveis ao Banco Master e desgastar integrantes do Banco Central e da Febraban.

A investigação também aponta previsão de pagamentos elevados e atuação coordenada nas plataformas digitais.

Os elementos reunidos pela PF indicam que o núcleo digital investigado possuía divisão de tarefas, operadores especializados e estrutura própria de funcionamento.

Enquanto parte do grupo atuaria em ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento eletrônico ilegal, outro braço seria responsável por sustentação reputacional, gerenciamento de presença online e acompanhamento digital relacionado ao entorno de Vorcaro.

Ao justificar as prisões preventivas, a decisão afirma que os elementos reunidos pela investigação indicam risco concreto de destruição de provas digitais, ocultação de equipamentos eletrônicos e continuidade das atividades investigadas.

O documento também aponta que a estrutura investigada permaneceu ativa mesmo após fases anteriores da Operação Compliance Zero.

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