O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou nesta quinta-feira (21) a liberação de mais US$ 1 bilhão para a Argentina dentro do pacote de ajuda financeira firmado com o governo de Javier Milei. A decisão reacendeu críticas sobre o tratamento privilegiado dado ao país sul-americano, impulsionado pela forte influência dos Estados Unidos dentro do organismo internacional.
O novo desembolso faz parte do acordo de US$ 20 bilhões fechado há um ano por meio da linha de Facilidades Estendidas (EFF), modalidade destinada a países com graves desequilíbrios econômicos e estruturais.
Apesar de a própria equipe técnica do FMI reconhecer que a Argentina não cumpriu uma das principais metas do programa — a recomposição das reservas internacionais — o conselho executivo decidiu aprovar a nova parcela do empréstimo.
Na prática, o governo argentino recebeu autorização para continuar acessando recursos mesmo sem atingir integralmente os compromissos assumidos no acordo.
O FMI afirmou que “a maioria dos critérios de desempenho” foi cumprida e classificou a execução do programa como “sólida”, apesar das fragilidades ainda presentes na economia argentina.
A diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, elogiou os resultados do governo Milei e destacou os avanços em direção a uma economia “mais orientada ao mercado”.
Relação próxima com Washington pesa no cenário
A aprovação do novo desembolso ocorre em um contexto de forte alinhamento político entre o governo Milei e os Estados Unidos.
Desde o início do mandato, Milei aproximou-se da agenda defendida por Washington, ampliando laços diplomáticos e econômicos com o governo americano.
Os EUA são o principal acionista do FMI e exercem enorme influência nas decisões estratégicas do organismo, o que frequentemente gera críticas sobre o peso político das aprovações de empréstimos.
Analistas apontam que outros países enfrentando dificuldades semelhantes dificilmente receberiam o mesmo grau de flexibilidade após descumprirem metas consideradas centrais dentro dos acordos firmados com o Fundo.
Ajuste fiscal na Argentina teve alto custo social
O programa econômico implementado por Milei incluiu cortes profundos de gastos públicos, redução de subsídios e enxugamento do Estado.
Embora o governo comemore a desaceleração da inflação e o retorno do superávit fiscal, as medidas provocaram forte deterioração social, aumento da pobreza e protestos em diversas regiões do país.
Ainda assim, o FMI segue respaldando a estratégia econômica argentina, mesmo diante das tensões internas e dos impactos sobre a população.
Nos últimos meses, alguns indicadores econômicos apresentaram recuperação. A economia argentina registrou crescimento de 3,5% em março, acima das previsões do mercado, enquanto a inflação anual desacelerou.
Apesar disso, o próprio FMI reconheceu que o país continua vulnerável a choques externos e enfrenta riscos relevantes no cenário doméstico.
A nova liberação de recursos reforça a dependência da Argentina em relação ao financiamento internacional e amplia o debate sobre o papel político do FMI e da influência americana nas decisões envolvendo países estratégicos da região.