Preços da indústria atingem maior nível em abril, sob impacto da cadeia do petróleo

Índice de Preços ao Produtor acumula alta de 5,12% no ano
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Os preços da indústria brasileira aceleraram em abril e registraram o maior avanço mensal em mais de quatro anos, impulsionados sobretudo pela cadeia petrolífera e pelos efeitos de conflitos internacionais sobre o mercado global de energia. Segundo dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (28), a indústria nacional teve alta de 2,63% em abril frente a março, quando o índice havia avançado 2,28%.

O resultado é o mais elevado desde março de 2022, período marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando a taxa chegou a 3,12%. No acumulado de 2026, o indicador soma alta de 5,12% — o terceiro maior patamar já registrado para abril desde o início da série histórica, em 2014. Já no acumulado de 12 meses, o índice ficou positivo em 1,07%, revertendo uma sequência de resultados negativos observada desde agosto do ano passado.

O IPP mede a variação dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes, acompanhando o comportamento dos preços na indústria extrativa e de transformação.

Petróleo e tensão internacional impulsionam alta

De acordo com o gerente de análise e metodologia do IBGE, Alexandre Brandão, a disparada dos preços em abril reflete diretamente o cenário geopolítico internacional, especialmente os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevaram a pressão sobre a cadeia global do petróleo.

Segundo ele, o movimento guarda semelhanças com o observado em 2022, quando a guerra no Leste Europeu também provocou choques sobre os preços de energia e combustíveis.

“São dois momentos em que conflitos internacionais acabam impactando fortemente essas cadeias produtivas ligadas ao petróleo”, explicou Brandão.

Entre as atividades industriais pesquisadas, 21 das 24 apresentaram aumento de preços em abril. Os destaques ficaram com os setores de outros produtos químicos, que avançaram 9,91%; borracha e plástico, com alta de 7,31%; refino de petróleo e biocombustíveis, que subiu 6,44%; e indústrias extrativas, com crescimento de 4,92%.

Cadeia petroquímica concentra maiores impactos

Os derivados de petróleo tiveram peso decisivo na composição do resultado agregado da indústria. O setor de outros produtos químicos exerceu a maior influência individual sobre o índice geral, respondendo por 0,80 ponto percentual da alta de 2,63% registrada em abril.

Na sequência aparecem refino de petróleo e biocombustíveis, com impacto de 0,63 ponto percentual, além dos segmentos de alimentos e borracha e plástico.

Sob a ótica das grandes categorias econômicas, os bens intermediários lideraram a pressão inflacionária na indústria, contribuindo com 2,23 pontos percentuais para o resultado mensal. Dos dez produtos que compõem essa categoria, nove registraram aumento de preços em abril — oito deles ligados diretamente à cadeia do petróleo.

Minério de ferro segue na contramão

Na direção oposta, o minério de ferro foi um dos poucos itens a registrar retração de preços no período. Segundo Brandão, o movimento é explicado pelo aumento da oferta global, especialmente no Brasil e na Austrália, combinado aos elevados estoques chineses e à desaceleração da demanda no setor de construção civil da China.

A valorização do real frente ao dólar também contribuiu para reduzir os preços do minério no mercado doméstico.

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